Minicontos

Da série terror





A boneca

Era a quinta boneca que Laysa ganhara naquele ano. Coitada! As quatro anteriores – todas de louça e cabelos cacheados - teriam acabado na lixeira. Estropiadas, os olhos vazados, os lindos vestidos rasgados.
Na estante, olhar acusador fixo em Laysa, a antiga boneca de pano – presença indesejável.

O dino aprisionado

Petrus deu por acabada a montagem e o animal já o paralisara com sua imensa pata.
Precisava agradecer ao sujeito que o salvara da morte por asfixia.
Bem feito pro Dino!
Como Petrus poderia adivinhar que aquele brinquedinho ordinário aprisionado dentro do Kinder Ovo estaria à espreita da liberdade só para fazer o mal?

Draculinha

A mãe voltava às reclamações, enquanto lhe cobria de pomada as feridas abertas.
Menino teimoso; fez buracos por todo o corpo.
O sol não nasce para todos, filho.

A invasão dos fantasmas

Naquela casa, havia a proibição de entrar no quartinho dos fundos. Tem muitas tralhas - a mãe falava para seus pequenos- podem se machucar. A menorzinha não dava ouvidos. Encostada na porta, forçava a maçaneta, mas esta não lhe obedecia.
Um dia, acompanhada de Merlin – o gato -, insistiu mais uma vez. Com um simples toque, a maçaneta girou e a porta se abriu. A menina entrou e Merlin saltou rápido e fechou a porta.
Várias menininhas de roupas brancas e longas, cabelos escorridos e olhinhos parados , a esperavam em volta de uma mesa coberta com doces e biscoitos.
Acomodada na cabeceira, a garotinha se regalou com as guloseimas e compartilhou brincadeiras.
Ao sair, faria segredo do acontecido.
Mas prometera voltar. Tralhas... -saiu pensando... que nada. Fantasmas!


A vassoura mágica

Tempos difíceis em que tudo era descartável. Malévola experimentava a nova vassoura. A anterior se despedaçara e a nova tinha lá suas limitações.
Mas para uma coisa a vassoura era malevicamente mágica.
A cada amanhecer, varria da mente da dona todas as perversidades acumuladas no dia anterior.
Com a mente limpinha e vazia de maldades, Malévola voava mundo afora com a inocência e a aparência da mais bondosa das fadas.

Fadas e bruxas

A Sininho, quem diria. Um tiquinho de gente, uma bonequinha com asas coloridas, cabecinha cheia de invencionices.
Ciumenta, ranzinza e invejosa, era na verdade, uma bruxa.

Teatro de monstros

A criançada adora assistir teatro. De monstros, nem se fala, é uma alegria só.
Crianças são inocentes. Pensam que tudo é de brincadeira.
Bobinhas!





Jacira Fagundes
22/08/2014