Dicas

Dicas de Leitura - por Luzia Regina Camargo

Jacira Fagundes
06/04/2020


Dica de Leitura - por Luzia Regina Camargo

Título da obra – Ilha das Correntes
Autor – Ernest Hemingway
Editora – Bertrand Brasil – ano 2005


Ele era escritor. Era escritor, não era pintor, e sempre dizia olhando os quadros de Cézanne que ele gostaria de escrever assim como Cézanne pintava. Cézanne pintava, e conseguia colocar na tela não meramente o retrato.
Ele colocava junto com o retrato, uma essência
que transportava as pessoas para aqueles locais onde ele havia pintado a tela.
Então Hemingway viajava nas telas de Cézanne, ficava na galeria só olhando os quadros dele.
Neste romance – A Ilha das correntes – Hemingway escreve que ele é um pintor recluso e que nessa solidão escolhida, pinta quadros maravilhosos.
Ernest Hemingway se colocou nessa história como um igual de Cézanne e de outros mais que pintavam naquela época, se colocou como artista recluso que pinta e que tinham um agente, assim como os escritores têm o seu editor.
Um agente que leva suas telas para vender em Chicago. Ou outra cidade da América. Nas grandes cidades, inclusive no país dele. Os quadros faziam muito sucesso, fazia uma alusão aos seus livros. Escreve com a certeza que terá êxito em seu trabalho.
Como um pintor, nessa última obra, vive recluso numa ilha. Uma ilha que é um paraíso.
Pintou quadros maravilhosos e sempre vendeu. Agora vive tudo que ele tem na memória. Guardou, carregando dentro dele e diz que pode não voltar aos lugares como
Paris, pode não voltar à África, pode não voltar à Cuba, Havana; mas ele quer visita- los através da memória.
A todos esses lugares. Tanto que as histórias que ele escreveu, todas foram se reportando à Espanha e à França, à Riviera Francesa e à África.
Acho que visitou a Ásia também. Ele chegou a comentar sobre a Ásia, mas ele não lembra de ter escrito sobre a Ásia. Escreveu sobre a África e sobre Madri, sobre as touradas. Escreveu sobre a vida dele na França.
Guardou dentro dele essa vida na França, muito preciosa. Seu tesouro, onde viveu com seu verdadeiro e único amor. Foi a melhor fase da sua vida.
Ele veio de um amor de verdade, não tinha condição de continuar vivendo assim se quisesse produzir.
Precisava do tempo para produzir, então abriu mão do amor e da família. Nunca mais apegou-se a mulher alguma depois de deixar Hadley.


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Comentários:

Ótima dica, Luzia! O autor se consagra a cada leitura da sua obra fenomenal. És uma leitora voraz e criteriosa. Parabéns!

Jacira Fagundes, Porto Alegre 28/04/2020 - 17:56

É de fato tentador ter esse gostinho da leitura, da vontade de ler o livro todo mesmo. Vou colocar como uma das opções da minha lista, quem sabe depois do livro que estou lendo.

Juliano Camargo, Viamão 09/04/2020 - 22:20

Luzia: eu já li este livro e a atmosfera é exatamente como descreveste em tuas dicas. Adorei.

Tusnelda Marins, Porto Alegre/RS 08/04/2020 - 19:49

Sabe que penso que nunca li Ernest Hemingway, mas te lendo fico tentada. E pensar que a arte é assim, escrever, pintar, as diferentes formas de manifestação da alma. O que será que determina, e se é que tem algo de determinismo nisso, se escolhemos a caneta ou o pincel?

MAGALY ANDRIOTTI FERNANDES, PORTO ALEGRE RS 06/04/2020 - 20:21

Muito bom, Luzia! Parabéns

Terezinha Lanzini, Canoas/rs 06/04/2020 - 20:02

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