Dicas

Dicas de Leitura - por Clotilde Grassi

Jacira Fagundes
08/04/2020



Dica de Leitura - por Clotilde Grassi


Título da obra – Madame Bovary
Autor – Gustave Flaubert
Gênero - Romance

Romance do ano de 1856, traz dois personagens principais, avançado para a época, pois a personagem feminina exibe sentimentos e comportamentos, prevalecendo o masculino.
Madame Bovary, desde os tempos de jovem estudante interna, não seguia os parâmetros das demais colegas, buscando nos romances idealizar um tipo de vida sonhadora e romântica. Construiu para si um mundo imaginativo e ilusório em que externamente viriam a preencher seu vazio existencial.
Distanciada de si mesma, sem mesmo saber como ela mesma realmente era, pensou encontrar no casamento a realização de seus sonhos e devaneios. Logo se decepcionou, pois o marido, embora encantado com a sua beleza e modos sedutores, não tinha profundidade de sentimentos, ficando no raso, satisfeito com o que ela lhe proporcionava.
Na profissão de médico, Charles não teve sucesso, apenas tratando de pequenos distúrbios, sendo um fracasso, no que se refere a casos mais complexos, tendo que chamar outros médicos para solucionar problemas mais graves, inclusive, quando sua mulher agonizava envenenada, não sabendo o que fazer.
Mesmo após a morte da esposa, continuou amando-a e vivendo das suas lembranças, não conseguindo retomar sua vida sem ela.
Emma Bovary buscou outros relacionamentos, inicialmente, dissimulada, permitia que viessem variados galanteios a massagear seu ego e satisfazer suas ilusões. Depois, jogava-se de corpo e alma em relacionamentos proibidos, tornando-se ela a amante ativa quando o amante já se mostrava distante. Não conseguiu suprir suas carências, não encontrando neste modelo de vida a sua realização pessoal.
Com a vida arrasada sentimentalmente, também se viu envolvida em dívidas impagáveis, razão pela qual resolveu tirar a própria vida. Não conseguiu solucionar os problemas afetivos nem realizar o sonho de uma vida romântica com a qual sonhara. As dívidas por compras impensadas bem reflete o desarranjo mental e emocional da Madame. Mãe ausente, demonstrou não se ligar na filha ou em nada que soasse familiar.
Fugiu da vida por se ver incapaz de administrar algo seu, buscando fora, em outros homens solução que acabou não encontrando. Como dizia: Todos os homens são iguais.
Chama a atenção que os romancistas sempre, ou quase sempre, descrevem adultério e dívidas conjuntamente. É para melhor apresentar a confusão mental dos adúlteros ou porque realmente, de praxe, isso acontece?


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Comentários:

Clotilde, Madame Bovary é eterna. Como romance e como personagem. Flaubert, ele também, se eternizou junto a sua obra. Adorei a questão que levantas no final. Mas fiquei sem resposta. Ou melhor, deverá haver tantas... Meu abraço.

Jacira Fagundes, Porto Alegre 28/04/2020 - 17:40

Madame Bovary tentou dar vida e paixão a sua existência. Flaubert, o romancista, criador desta narrativa, atingiu leitores do séc. XlX com tanto esmero, que até hoje lembramos das aflições de sua personagem. Obrigada, Clotilde, por nos conduzir pelos caminhos do chamado século de ouro do romance.

Terezinha Lanzini, Canoas/rs 10/04/2020 - 14:51

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