Crônicas

Temporada de pandemia e também de flores

Terezinha Lanzini
16/07/2021




Terezinha Lanzini


Temporada de pandemia e também de flores


Estamos tão longe uns dos outros e, por incrível que pareça , nunca antes, tivemos tanta facilidade de estarmos perto.
Tudo mudou. O tempo mudou. E o novo tempo é de não deixar nada para amanhã. Ainda não há comprovação científica que demonstre como o Coronavírus surgiu na espécie humana. Porém, sabemos, que a Covid-19 é cruel e democrática e já levou muitos de nossos amigos, conhecidos e parentes. Isso no mundo todo. E o que fica de aprendizado para nós que não fomos contaminados?
É chegada a hora de saber, dividir, ser benevolente, perdoar, manifestar sentimentos verdadeiros. Vejo que, o único sentido da vida, é ser tão nobre, tão generoso, quando se pode ser. Estamos separados. Estamos vivendo este novo tempo, cada qual a seu modo, cuidando a si e dos outros, devido ao sofrimento deixado por este vírus. Por sua extensão global e pelos rastros de mortes deixadas em sua passagem. No trabalho, na rua ou em casa, nossas palavras de amor, de solidariedade, ainda podem chegar a qualquer lugar.
Por isso, me permito um pouco de poesia e, dizer que, esses dias frios, nos conduzem uma espécie de recolhimento, de delicadezas. Delicadeza de falar mais baixo, de buscar aconchego, olhar álbuns de fotografias antigos, de ficar mais em casa. Neste dias frios, há um silêncio onde se escuta o barulho das casas, o silêncio lá fora sob a chuva, sob o frio, sendo ele o responsável pela quietude dos dias.
Alguém me falou outro dia - mas o inverno nos maltrata. Não há flores, não há mar. E eu respondi- existem as flores dos ipês que entre meados de julho e meados de agosto, estas árvores, com seus caules desnudos de suas folhas , ensaiam sua apresentação magistral. Começam os que têm flores roxa, depois os que têm flores rosas. No início de setembro, aparecem as flores amarelas. Encerrando a temporada, aparecem os ipês brancos. E, antes de encerrarem sua deslumbrante participação, acenam de leve para a próxima estação, que chega a tempo de assistir o show das últimas pétalas serem lançadas ao vento e colorindo o ar para saudar a primavera.

“E o mar? Ah, o mar é das gaivotas que nele sabem voar!” – Milton Nascimento


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Comentários:

Terezinha teu texto é poetico, chego a sentir o aroma das arvores de ipes e me sinto caminhando na areia e observando as gaivotas. Tua escrita tem esse poder de nos transportar para as cenas. Parabéns.

MAGALY ANDRIOTTI FERNANDES, PORTO ALEGRE RS 31/07/2021 - 13:59

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