Textos

As cinco direções de um corpo

Jacira Fagundes
19/04/2022





As cinco direções de um corpo

“As cinco direções de um corpo” é título da obra conjunta que reuniu 5 autoras em exercício de escrita literária em oficina acontecida durante o segundo semestre de 2021.
A partir do tema envolvendo o achado de um corpo estendido, as autoras criaram histórias que foram desenvolvidas em até 10 episódios, apresentando assim, cinco visões de um crime.
Cada autora criou personagens na figura de um corpo encontrado e desenvolveu possíveis histórias de vida, e naturalmente, todas elas, histórias de morte por violência.
Poderia a obra constituir-se numa coletânea de contos independentes escritos por cinco autoras. Porém, numa escolha mais ousada, o grupo optou por integrar as cinco histórias numa narrativa experimental, que se abrisse em um único texto frente ao leitor.
O tema da violência, noticiada diuturnamente através do jornal e TV, ofereceu o suporte. A escolha caiu, a princípio, sobre a morte provocada nas contendas – vítima e algoz – na eterna luta pela vingança e pelo poder do mais forte. E nas muitas vezes, sem solução.
É do que trata a obra “As cinco direções de um corpo”.

Magaly Fernandes traz Umut, um jovem sonhador, vítima da desfaçatez da justiça ao enfrentar a cidade grande. Gostava da cidade tacanha onde nascera e se criara acompanhando o pai na lida da pesca, ajudando-o com os peixes, mas queria conhecer a cidade da serpente encantada. Foi acusado de matar um homem.
Clotilde Grassi apresenta Joseph e sua história de vida voltada ao sublime. Devido à origem humilde e desprovida de afetos, foi para tantos um alento. Com olhar paternal, segurando as mãos enquanto ouvia atento os lamentos da alma, ia curando em silêncio. Escolhera ser padre.
Terezinha Lanzini mostra a tristeza e a marca do abuso na sua personagem Beatriz, moça recatada e triste com histórias de amores incompletos e obcecada pela figura de um fotógrafo, simbolizando o mal.
Sônia Coppini traz Adenor, empenhado na busca daquele que acredita ser um Jaguatirica e portador de todo o infortúnio. Fixado numa visão de morte – de uma determinada noite no capão, de um outro jaguara com a espingarda. Matar por matar.
E Maurícia Mees faz o retrato de histórias familiares, opostas na fortuna – Guilherme e Miguelito – e suas apreensões com o desaparecimento de um ente querido, na tristeza infinita com a busca permanente por um corpo.
A interação entre as cinco histórias se faz por inserções de chamadas para o leitor na forma de envios ocasionais para episódios e páginas sugeridas, quando da interrupção de um ou outro trecho da narrativa. Importa trazer o leitor para a realidade que o introduz no mundo atual, de permanência da violência, onde as vítimas se alternam dia a dia, algumas noticiadas, outras não, entre as tantas que se amontoam no anonimato. Assim como seus algozes, que lotam os presídios, ou escapam da lei sem qualquer remorso. E ainda os erros judiciários e as prisões indevidas que matam as esperanças, quando do pobre.

O livro em e-book está ao alcance do público, com gratuidade de acesso. Oportunamente, a organizadora estará conversando numa live com cada autora em particular. Aguardem o convite.

Acessos para download do livro:

www.bestiario.com.br/as_cinco_direcoes.pdf
https://abre.ai/5direcoes
www.bestiario.com.br












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