A Praça é dos livros

Jacira Fagundes

E  a Feira volta novamente  à Praça.  Pela 62ª vez. 
 
É uma senhora a  nossa Feira do Livro de Porto Alegre e eu sinto um quê de nostalgia.
 
Penso que mereceria um espaço amplo, muitas bancas espalhando-se pelos extensos corredores, leva de  autores e leitores circundando a praça.
 
Ao contrário, parece que a cada ano, nossa tão amada Feira do Livro fica mais acanhada, mais modesta, mais encolhida e limitada ao pouco espaço que lhe vem sendo oferecido. Menos confortável para os que buscam de verdade o contato com o livro e  a acolhida do livreiro. Mais fascinante em razão do entretenimento e da festa  que é o que  atrai o grande público.  
Sim, a imprensa irá noticiar que a população de Porto Alegre invade a Feira, que os visitantes (diferente do que se entende por leitores) formam uma legião. Que a fila para o passeio no Cisne Branco ( maravilhoso! o barco avariado com a tempestade que caiu sobre a cidade está refeito, muito mais bonito, exuberante) é imensa e não para de crescer. Que a música, as intervenções teatrais, os artistas de rua e os espetáculos com palhaços, gigantes e tantos outros personagens saídos dos livros, fazem presença e encantam velhos, jovens e crianças frequentadores da Feira. Que a área de alimentação não consegue dar conta dos tantos pedidos. Que a barraquinha da pipoca se atualizou com novos sabores.
 
Mas a imprensa séria já vem alertando que setores tradicionalmente instalados na praça deverão migrar para os prédios vizinhos e que esta será a Feira do Livro de Resistência. Tenta resistir à crise financeira e à escassez do mercado livreiro, às dificuldades enfrentadas pelas editoras – as maiores e as menores – em igual contenção. Vale lembrar que a contenção do mercado afeta toda a cadeia do livro, os autores consagrados e os iniciantes e, em especial, o leitor que se vê pequeno e angustiado perante a crise e a falta de estímulo.
 
Porém, uma esperança de enfrentamento deste momento crucial, com certa dose de otimismo misturada à nostalgia que citei no início, me fez considerar uma possibilidade. A nova Patrona da Feira, em entrevista na TV, prometeu trazer as antigas rodas de leitura para o centro da Praça. Vai convidar o público leitor para se unir a escritores locais em conversas demoradas em torno de livros e leituras. Penso que serão momentos memoráveis e prazerosos. Que escritores e leitores sairão destas conversas com as almas lavadas, com emoções à flor da pele e com um entusiasmo que será, com certeza, propulsor para as próximas Feiras que virão. 
 
Torço para que  a Patrona consiga implantar esta mudança, pequena a princípio mas grande na continuidade; este novo/antigo olhar no que constitui de verdade, toda importância. 

 

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