Site da rede
Artistasgauchos.com.br
artistasgauchos.com.br

Poesias

Milonga para Constâncio Soledad

Constâncio chegou ao rancho
e viu a casa vazia.

Não de móveis, não de coisas.
Mas algo de mais valia.

Chamou por ela três vezes.
Foi ao pátio, foi à sala.

No quarto, achou a resposta
da pergunta que não cala.

(Não cala e não dorme nunca).
Dizem que sempre o abandono

no travesseiro das dores
espanta pra longe o sono...

Constâncio, anos depois,
ainda lambe as feridas.

(E diz quem bem o conhece:
- Perdeu a fome da vida).

Constâncio não sente fome,
mas a dor sempre põe mesa.

Nele, há um pêndulo que oscila
entre a raiva e a tristeza.

Magro de alma e de corpo.
(Barco sem água e sem cais).

Na fronte, encravado e tenso,
um riso de nunca mais.


00/00/0000

 

 

Todos direitos reservados a Jaime Vaz Brasil | site da rede artistasgauchos.com.br desenvolvido por wwsites