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Poesias

Minuano Azulado

Encaro os olhos agudos
do Minuano azulado.

(Quem lhe desenha o semblante
cravado aos ombros curvados?)

Leio rigores de um verso
erguido em sua defesa.

(Mas quem exorta esse vento
de incontida aspereza?)

Encaro os olhos agudos
do Minuano azulado.

(Mas onde a pele recolhe
cada poro tresmalhado?)

Enquanto a sombra projeta
o perfil dos encolhidos

quem autoriza a dor plena
ao frio assim permitido?

Encaro os olhos agudos
do Minuano azulado.

(O vento verde de Lorca
seria assim tão gelado?)

Mas o que pode essa gente,
esse pueblo tiritante,

se o sol, opaco de medo,
foi quedar-se tão distante?

Quem descreve a trajetória
horizontal desse vento?

Se nasce à casa dos Andes,
quem promulga o movimento?

Encaro os olhos agudos
do Minuano azulado.

Dança mi poncho en sus manos
e duelamos calados.


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