Textos

nova versão de dois poemas de PROSA DO MAR


17/11/2010


FOME E PENA

Morre mais um peixe no caniço
mas que fazer se vivo disso?

Morre mais um peixe no caniço
e apesar de morto permanece digno

como um filho em sacrifício,
como Deus em seu ofício

de manter-me vivo:
a morte, quando serve aos homens

cumpre seu eterno e inevitável ciclo.
Morre mais um peixe no caniço

e eu não sinto pena
porque sinto fome.














HELENA E A ESPERA

Sentada na areia,
diante do mar,
Helena espera:

à casa paterna o bom filho tornará.

Sentada na areia,
diante do mar,
Helena reza:

A palavra é a recompensa de quem ora.

Sentada na areia,
diante do mar,
Helena pensa:

ele não partiu porque de mim nunca se foi.

Sentada na areia,
diante do mar,
Helena sabe:

grávida de véspera, amanhã não tardará.






 

 

 

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