Comentários

> Artigo de Ronaldo Machado sobre Marlon de Almeida


Caro Marlon.
Faz um bom tempo que pretendia escrever a vc. Mas fui atropelado por duas viagens ao exterior e o os dias passaram.... Não queria perder a vez de cumprimentá-lo pelo PROSA DO MAR, que recebi por gentileza da Magali e cuja leitura me proporcionou enorme satisfação. É realmente um prazer encontrar um texto poético assinalado pela inventividade, formando um projeto coeso e versado numa linguagem densa. Talvez devesse substituir "densa" por simplesmente "limpa", pois é isso que destaca sua linguagem no meio de tanto atravancamento verbal da poesia que tenho lido nos últimos tempos. Ótimo. No seu caso, eu já conhecia outros textos anteriores e vejo que, persistindo com paciência e sensibilidade, vc. escalou muitos patamares acima. Grato, um cordial abraço do

FLAVIO LOUREIRO CHAVES 


> Resenha do poeta e artista plástico Renato Dias sobre "Prosa do mar" (PDF)


Caro Marlon.
Faz um bom tempo que pretendia escrever a vc. Mas fui atropelado por duas viagens ao exterior e o os dias passaram.... Não queria perder a vez de cumprimentá-lo pelo PROSA DO MAR, que recebi por gentileza da Magali e cuja leitura me proporcionou enorme satisfação. É realmente um prazer encontrar um texto poético assinalado pela inventividade, formando um projeto coeso e versado numa linguagem densa. Talvez devesse substituir "densa" por simplesmente "limpa", pois é isso que destaca sua linguagem no meio de tanto atravancamento verbal da poesia que tenho lido nos últimos tempos. Ótimo. No seu caso, eu já conhecia outros textos anteriores e vejo que, persistindo com paciência e sensibilidade, vc. escalou muitos patamares acima. Grato, um cordial abraço do

FLAVIO LOUREIRO CHAVES 


Esgota-se mais um verão, e com ele o veraneio, típica instituição incorporada de nossa nostalgia pampeana, muito mais solar do que propriamente marítima. Sim, o veraneio gaúcho é um descarado culto ao sol, no qual o mar e seu entorno entram como paisagem, cenário, acessório. Tremenda injustiça. Nesse mar desenrolam-se enredos muito mais interessantes e poéticos do que a monótona alternância do sol e da chuva do cotidiano da praia, do noticiário e da previsão do tempo.

Por isso, neste contexto o livro PROSA DO MAR de Marlon Almeida chama tanto a atenção. Ninguém antes, na literatura gaúcha, havia cantado com ênfase tão universal e poética tão expressiva e autoral, o mar. Sim, apesar de o título ostentar a palavra prosa, o livro é um belo conjunto de poemas. Na verdade, o autor até brinca, com os limites do narrativo, do lírico e do dramático. É um livro sobre o mar do sul, descobre-se logo na primeira orelha, na evocação de uma memória juvenil que inaugura tudo: “Uma certa noite dos anos 70. Um apartamento quarto-e-sala, beira-mar de Tramandaí, Rio Grande do Sul. O menino ainda espera o pai tão tarde. Antes do sono, a voz da avó de vento e mar: o vento é a voz do mar”. O nome da tão conhecida praia revela o mar do sul, mas é também outros mares, do sul e de todos os quadrantes, reais e imaginários.

Como um trovador (palavra que significa achar) o poeta Marlon Almeida encontrou um tema, um assunto, uma obsessão neste nosso mar, tão cotidiano, local e desprezado. O poeta povoou-o de gente, cenários, sensações, lições, felicidade e angústia. PROSA DO MAR é um conjunto de 56 poemas que celebram a habilidade do poeta de transfigurar o senso comum, o corriqueiro, na mais singular das sensações. Pequenas observações são coletadas com a mesma riqueza com que Dorival Caymi enobrecia o mar da Bahia e os Tapes agigantavam a Lagoa dos Patos. São curtos e deslumbrantes poemas que, saindo do mar envolvem casas, gentes, ventos e calmarias. Longe, muito longe do mar midiático e plastificado a que estamos acostumados.

Publicado no final de 2008, PROSA DO MAR (ed.: 7 Letras), é o maior achado da literatura gaúcha, em muito tempo. Seria injusto indicá-lo como literatura de verão, apesar do vínculo óbvio do tema, pois é um livro para as quatro estações do ano, e muitas outras. É um texto depurado lentamente, filtrado pelo metódico bater do mar à praia, até refletir apenas o essencial, o cerne do poema, a madrepérola da concha, a alma das pessoas e as vozes portadoras de conhecimentos que o tempo não corrói.

Por isso mesmo, e para fugir do óbvio, só indico agora no linear do outono este magnífico livro de um dos mais promissores talentos de nossa literatura, que é Marlon Almeida. Vale a pena dissolver-se nas ondas desta prosa-poética, em que é possível afogar-se, metaforicamente, em águas cuja simbologia ultrapassa sempre os limitados e repetidos chavões a que nós condenamos, sem saber, este mar tão nosso, tão cotidiano e tão de si mesmo, desigual.

Valeu o esforço, Marlon! Nosso mar tem agora, finalmente, quem o leia, interprete e transfigure na potência de seus reais e verdadeiros significados.

Professor Dr. Larry W., da UNIJUÍ


OLÁ MARLON, como sabes, cada livro que se publica é como o nascimento de um filho, com a diferença que esse filho ás vezes leva anos até terminar sua gestação. Teu livro, Prosa do Mar é o nascimento de um GRANDE POETA !!! Anteriormente em Malabares, já mostravas tuas leituras de Ferreira Gullar e João Cabral de Melo Neto, fosse nos temas abordados, fosse na estrutura dos versos. Agora, descubro-te próximo a Cecília Meirelles e Fernando Pessoa ( Mensagem) e mais que isso: refinaste tua linguagem, enxugaste tua poesia, teus versos são mais concisos e ao mesmo tempo mais fortes e impactantes. Conseguiste unir a síntese da poesia com as imagens oníricas do surrealismo sem perder a lógica de vista. Isso é um feito e tanto!! Além disso, deste á tua poesia todo um ritmo contido e ao mesmo tempo fluido que ela vinha buscando desde teu último trabalho. Conseguiste junto com isso, criar imagens originais a partir de um lugar-comum: o mar. Deste ao mar uma nova existência e novos sentidos, ampliaste os significados ( e são muitos) dessa imagem tão recorrente dos poetas. Lembro, ao ler teu livro, de T. S. Elliot e ele dizia mais ou menos o seguinte: a função social do poeta é renovar sua língua, é trazer para seu povo uma nova visão de sua própria linguagem, é dar novos sentidos ás palavras. Pois bem, tu és esse poeta, que ao buscar a linguagem do povo, a faz renovar-se, traz para a Língua Portuguesa novos sentidos ás palavras e imagens do nosso cotidiano, consegue dialogar com a tradição e com o popular, e através desse diálogo, cria um novo linguajar, uma nova forma de dizer as coisas. O que posso te dizer? Que este certamente é teu livro mais maduro e mais profundo e que foi UM PRAZER IMENSO LÊ-LO!!! PARABÉNS MARLON!!! Aproveita a onda e inscreve teu livro no Açorianos e no Jabuti, pois tenho certeza de que ele ainda será muito premiado e festejado!!! Que continues sempre assim, escrevendo versos que mancham a alma da gente de beleza!!

Lívia Petry



"Prosa do mar (7Letras, 2008), de Marlon de Almeida. A voz lírica se projeta sobre uma voz dramática que se esgarça. A remissão ao lirismo não edulcorado marca a presente recolha de poemas de Marlon de Almeida. A novidade de Prosa do mar repousa sobre uma particularidade: esse lirismo faz alusão em parte à moderna canção brasileira, isto é, se põe em relação com esta. Uma polifonia a Dorival Caymmi, narrativa em ondas de poemas. Vozes que se quebram na praia branca da página. E como muito bem lembrou Ronaldo Machado em análise ainda não publicada dedicada ao livro, na concha textual de Prosa do mar, ouvimos um eco valeriano, vale dizer, como o mar no Cemitério Marinho, a obra de Marlon de Almeida — esse poema na linha da prosa e de muitas vozes — se propõe como um discurso sempre recomeçado. Marlon compõe precisas cantigas d’amigo."

Ronald Augusto