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Literatura

Campeonato Gaúcho de Literatura
Luiz Paulo Faccioli

A ideia surgiu nos Estados Unidos: a revista eletrônica Morning News promoveu um torneio de livros em que os participantes disputavam entre si até a escolha de um grande vencedor. No Brasil ela inspirou a Copa de Literatura Brasileira, organizada pelo blogueiro Lucas Murtinho, que começou em 2007 e este ano vai para sua quarta edição. A Copa de Literatura consiste basicamente em selecionar 16 obras dentre as que foram lançadas no ano anterior e fazê-las jogar como num campeonato de futebol, com todas suas etapas. Para haver o jogo, um juiz prepara uma resenha comparativa entre duas obras e arbitra, com as devidas justificativas, qual delas merece ganhar. Simples assim. E, como em qualquer disputa que se preze, há torcida, há controvérsia e há até mesmo xingamento de juiz.

O Rio Grande não podia ficar atrás. No dia 10 de junho começou o Campeonato Gaúcho de Literatura — o Gauchão —, organizado por um time de primeira de agitadores culturais composto por Ana Mello, Carlos André Moreira, Daniel Weller, Fernando Ramos, Lu Thomé, Marcelo Spalding e Rodrigo Rosp, e com a anuência do idealizador Lucas Murtinho. Mas não se trata de uma cópia fiel do modelo da Copa Brasileira. Aqui os participantes são 27, divididos em 9 grupos de 3, escolhidos dentre as coletâneas de contos lançadas em 2008 e 2009 por escritores gaúchos ou radicados no estado.

Na primeira fase, a partir de um esquema triangular, classificam-se os 9 melhores de cada grupo e os 6 melhores segundos colocados. Cada jogo tem um placar de gols marcados pelos dois competidores, que podem inclusive empatar. Há critérios para a classificação e desempate. Na segunda fase, os 15 livros classificados serão divididos em 5 grupos de 3. Desses grupos saem os cinco melhores de grupo e o melhor segundo colocado. Na semifinal, os 6 competidores serão divididos em dois triangulares. Os campeões de cada grupo vão disputar a grande final. Os jogos acontecem às segundas e quintas-feiras, terminam só em dezembro e podem ser acompanhados pelo site do Gauchão — www.gauchaodeliteratura.com.br. Lá aparece, dentre outras informações, a relação dos competidores e a tabela dos jogos.

Segundo o site, “o objetivo é provocar o debate sobre a produção local e estimular a leitura e o consumo da literatura feita no Rio Grande do Sul”. Uma das consequências é que lançamentos que tiveram pouca ou nenhuma repercussão sejam valorizados agora pelas resenhas e pela própria disputa. Outra é o fomento da crítica literária, algo que virou artigo de luxo e como tal anda a cada dia mais escasso na mídia escrita. E não é preciso destacar aqui a importância da crítica para a produção e a circulação da obra literária.

As resenhas, seguindo um esquema proposto pelos organizadores, têm todas explorado a analogia de cada disputa com uma partida de futebol. O resultado são textos leves, bem humorados, mas que na maioria das vezes aprofundam a análise dos livros concorrentes até um nível pouco usual nos dias de hoje. O jornalista e escritor Carlos André Moreira, por exemplo, apitou de forma brilhante o jogo que abriu o Gauchão — Mar de dentro, de Enio Roberto, versus Atalhos, de Luís Dill — com uma resenha minuciosa na análise individual de cada uma das coletâneas e na comparação entre elas e delas com outras obras. Essa partida inaugural mereceu 25 comentários de torcedores, incluindo uma pequena celeuma provocada por Enio Roberto, que questionou a imparcialidade do resenhista e acabou desmentido em seus argumentos.

Já a vice-campeã de comentários (22) é a ótima resenha de Reginaldo Pujol Filho para o encontro de dois pesos pesados — O silêncio dos inocentes, best-seller de Lya Luft, versus As grades do céu, de Susana Vernieri, ganhador do Prêmio Açorianos de 2009 —, partida que terminou empatada em 0 X 0, para frustração de ambas as torcidas.

Os detalhes do xingamento do árbitro, o primeiro do Campeonato, e de outros lances emocionantes estão todos publicados no site do Gauchão. Recomendo a visita.


14/07/2010

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  Luiz Paulo Faccioli

LUIZ PAULO FACCIOLI nasceu em Caxias do Sul em 1958 e lá viveu até 1977, quando mudou-se para Porto Alegre, cidade onde mora atualmente. É músico, compositor, juiz Allbreed e Instrutor pela The International Cat Association — TICA. Autor de Elepê (contos, WS Editor, 2000), Estudo das Teclas Pretas (novela, Record, 2004), Cida, a Gata Maravilha (infanto-juvenil, Galera Record, 2008) e Trocando em miúdos (contos, Record, 2008), participou das antologias Porto Alegre: curvas e prazeres (contos eróticos, WS Editor, 2002), Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século (Ateliê Editorial & eraOdito editOra, 2004) e 35 segredos para chegar a lugar nenhum (crônicas, Bertrand Brasil, 2007), entre outras. Integrou o grupo Casa Verde, participando das seis coletâneas lançadas pelo selo entre 2005 e 2008: Fatais, Contos de bolso, Contos de bolsa, Era uma Vez em Porto Alegre, Contos de algibeira e Contos comprimidos. É crítico literário, colunista de literatura da Band News Porto Alegre e colunista do portal Artistas Gaúchos.

lpaulof@terra.com.br
www.luizpaulofaccioli.com
twitter.com/lpfaccioli


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