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Literatura

Trovas, trovinhas e trovoadas de amor!
Celso Sisto


GOMES, Lenice & PEDROZA, Giba. Alecrim dourado e outros cheirinhos de amor. Ilustrações de Cláudio Martins. São Paulo, Cortez, 2011. 32 p. 

O amor tem muitos perfumes. Pode ser de flores, de temperos, de sabores, de lugares, de gente, etc. Cada um acaba descobrindo o seu, aquele que mais efeitos produz!

Antigamente era mania as pessoas anotarem, num caderno bem encapado e bem cuidado, poemas e trovas conhecidas. Os versos ficavam ali registrados para acompanharem, por muito tempo, o dono do caderno. Quem sabe, pela vida toda?!

Pois esse tipo de recordação, lá no início das descobertas das emoções, das paixões, das alegrias (e também das tristezuras!) funcionava como um primeiro jeito de se aproximar do território da poesia. A simplicidade dos versos, os recados de forma direta, as rimas, por vezes engraçadas, garantiam a diversão e os suspiros da meninada!

É um pouco isso o que os autores propõem com esse livro: um amor de infância dando seus primeiros passos e registrando suas primeiras letras.

São 48 trovas. Podem ter vindo da boca dos velhos narradores orais, das belas damas enclausuradas nos castelos medievais, dos nobres cavaleiros que enchiam os salões de bailes nas cortes... E, aqui entre nós, esses versos também remontam às brincadeiras das festas juninas.

São versos que falam da chegada inesperada do amor, do poder do olhar, da semelhança das flores com os amores, das saudades, das distâncias, da solidão, das alegrias de amar, dos carinhos trocados, das cartas de amor, dos encantos e belezas do ser amado, dos suspiros e pensamentos e até dos amores não correspondidos. O leque de subtemas é grande!

São também poemetos que propõem brincadeiras sonoras, conquistadas através das rimas. A melodiosa construção que emerge da leitura dos textos em voz alta, ainda cria, por si só, uma gostosa música entre os lábios, soprada no vento do dizer! Sempre quatro versos e sempre rimando o segundo e o quarto. Essa é a regra!

Os pequenos poemas vêm divididos por blocos, enunciados por pequenos comentários dos autores, do tipo: “um cheirinho com piscadinhas e conquistas”, “Cheirinho de encanto que tem meu bem...”, “se asas tivesse, pousaria no teu colo...”.

A imagem-símbolo do livro e das trovas fica sendo o alecrim, porque a palavra significa alegria e o nome científico “rosmarins officinalis”, significa, em latim, “orvalho do mar”. Imagens românticas, poéticas, bem se vê! O imaginário popular também atribui ao alecrim uma série de funções: usado antigamente nas salas de aula, estimulava a concentração; debaixo dos travesseiros, ajudava a lembrar dos sonhos; colocado em uma jarra de água potável por algumas horas, produz uma essência que quando ingerida, induz as pessoas a colocarem os pés no chão e a serem mais práticas e concretas em seus atos. A cultura popular explorou ao máximo as associações provenientes dos ramos e das flores do alecrim. Impressiona a quantidade de trovas populares que citam-no!

As ilustrações aquareladas e de coloridos contrastantes de Cláudio Martins são complementadas pelos fundos brancos das páginas e pelos contornos em preto, de alguns desenhos. Meninos e meninas se espalham pelas páginas, em gestos e posições de contemplação, rendidos pela força dos primeiros amores. Há uma atmosfera de alegria, brincadeira e sonho nos desenhos, o que deixa tudo muito leve.

A parceria de Lenice Gomes e Giba Pedroza nos textos é, definitivamente, um sucesso!


12/08/2013

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  Celso Sisto

Celso Sisto é escritor, ilustrador, contador de histórias do grupo Morandubetá (RJ), ator, arte-educador, especialista em literatura infantil e juvenil, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Literatura Brasileira, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Doutor em Teoria da Literatura, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e crítico literário de várias colunas dedicadas à literatura infantil e juvenil, na mídia impressa e on line.

csisto@hotmail.com
www.celsosisto.com/
twitter.com/celsosisto


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