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"Escreve-se mais. Por isso, é preciso escrever melhor"
Metamorfose Cursos


O Grupo de Leitura e Escrita de Crônicas, coordenado por Rubem Penz, é um espaço que incentiva a criatividade e a produção da escrita de crônicas, gênero esse que se consolidou com o jornalismo dos anos 50/60 e é intimamente ligado à opinião do seu autor. 
 
Rubem é escritor, publicitário, baterista, compositor e percussionista, atualmente colunista do Metro Jornal Porto Alegre e da revista eletrônica especializada em crônica RUBEM. Na entrevista a seguir, revela de onde surgiu a ideia para o grupo de crônicas, qual o foco desse grupo, além de especificar o conceito de crônica e sua importância na era digital. 
 
Luísa Tessuto: Como surgiu a ideia de um Grupo de Leitura e Escrita de Crônicas? 
 
Rubem Penz: Como uma oportunidade de oferecer aos novos escritores um módulo ágil para investigar a voz própria praticando um gênero reconhecido como "de entrada" na literatura. Na crônica, além do exercício de criatividade, há um aprimoramento em disciplina e concisão. 
 
Luísa: O Grupo de Leitura e Escrita de Crônicas foca mais em exercícios práticos de produção de crônicas ou na teoria/história da crônica? 
 
Rubem: A teoria/história da crônica acontece mais no módulo regular do Curso Livre de Formação de Escritores. Para o Grupo de Leitura e Escrita o foco é mais prático - a partir da análise de um texto canônico em cada encontro, um desafio de criação é lançado. Desta forma, os fundamentos da crônica surgem naturalmente nos encontros a cada leitura.
 
                                                                                          
 
Luísa: O que caracteriza um texto como crônica?
 
Rubem: A crônica é um texto de prosa breve, híbrido entre o jornalismo e a literatura. Experimenta uma liberdade ímpar na medida em que é muito mais determinado pelo suporte (jornal) do que por sua forma. Porém, a necessidade de fluidez, encantamento e relevância implica algumas normas. É possível dizer que não existe na literatura gênero de maior personalidade autoral do que a crônica. 
 
Luísa: Qual a relação da crônica com a opinião pessoal do autor?
 
Rubem: A crônica é seu autor. Ponto de vista por excelência, leva para os leitores um posicionamento mais explícito ou mais velado, dependendo da intenção ou da técnica empregada. 
 
Luísa: A crônica surgiu como uma forma de fazer jornalismo. Hoje é considerado um gênero literário, jornalístico ou ambos?
 
Rubem: O suporte (jornal) é e sempre será determinante na crônica. Sua urgência, sua proximidade com o cotidiano, sua fala direta com o leitor. A contaminação de oralidade. Isso tudo faz a crônica um gênero híbrido.
 
Luísa: A internet aumentou o número de pessoas interessadas em escrever crônicas?
 
Rubem: Sim. Estamos criando canais particulares de comunicação. Desde o fenômeno dos blogues até as mídias sociais, cada vez mais é possível criar seu grupo de leitores e, a partir destas "publicações", alcançar leitores inimagináveis. Por isso, aprimorar a escrita e compreender seu alcance é uma capacitação básica. Somos julgados por nossas postagens.
 
Uma oficina de crônica se transformou não só uma entrada na literatura, mas também uma exigência dos tempos de comunicação multilateral fragmentada. Escreve-se mais. Por isso, é preciso escrever melhor.

 

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