Governo repensa Programa Autor Presente, do IEL
Marcelo Spalding
O Programa Autor Presente, do Instituto Estadual do Livro, existe desde 1972
e foi idealizado pela então Diretora do Instituto Estadual do
Livro, Lígia Averbuck. A dinâmica consiste na realização
de encontros entre um escritor convidado e alunos que já tiveram contato
prévio com a sua obra. Por ser basicamente um projeto de incentivo à
leitura, o Autor Presente busca a formação de novos leitores e
a difusão da literatura sul-rio-grandense, além de abrir espaço
para escritores iniciantes que encontram no projeto a oportunidade para solidificar
suas carreiras. Ao longo dos anos, solidificou-se com a participação
de nomes consagrados como Luiz Antônio de Assis Brasil, Charles Kiefer
e Moacyr Scliar, imortal que em junho esteve em Butiá e em agosto deste
ano dará palestra na capital pelo IEL.
De tempos para cá, entretanto, é notório o descasso dos
governos com o programa, com atrasos de pagamento e diminuição
no número de agendamentos. Segundo dados do próprio site
do IEL, foram 97 agendamentos em 2006 e 48 em 2007, uma redução
de 54% em apenas um ano! Para este ano, contando os agendamentos de
agosto, temos 26 agendamentos, e se nos meses de setembro, outubro e novembro
for mantida a média de 5 agendamentos por mês, o ano fechará
com 41 agendamentos, menos ainda que em 2007.
Tal redução faz com que as escolas recebam muitas negativas do
IEL, o que estaria gerando mal estar e levando o Governo do Estado a repensar
o Programa. A idéia é interrompê-lo temporariamente para
estudar uma nova fórmula a partir do ano que vem. Para Luiz Paulo Faccioli,
presidente da Associação Gaúcha de Escritores, a simples
possibilidade de este governo mexer no IEL gera calafrios:
"Quando leio que "o governo está repensando o Autor Presente"
chego a sentir um calafrio. A triste verdade é que o IEL anda às
moscas, como de resto todas as entidades vinculadas à Sedac. A própria
escolha de uma pessoa sem as mínimas condições intelectuais
para a pasta da Cultura -- cargo importante em qualquer lugar minimamente civilizado
do mundo de hoje -- já indica a prioridade que o atual governo atribui
a nosso segmento. Quando a titular da Sedac e seus asseclas se põem a
repensar algo, pode apostar que virá porcaria, e da grossa. A preocupação
da Sedac hoje é usar verbas da Lei Rouanet para projetos mais do que
discutíveis e promover mutirões de faxina em monumentos públicos".
E você, o que pensa sobre o IEL, sua importância? Como vê
essa possibilidade de mudança no Projeto? Envie
seu comentário para nós e publicaremos aqui no site.
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"Temos uma secretária da Cultura polivalente. Ao mesmo tempo em
que indica um general para a Secretaria da Segurança, ameaça acabar
com um programa de incentivo à literatura que dá certo desde 1972.
O melhor que pode sair desta gestão é mesmo a proposta inédita
da secretária, logo que assumiu, de realização de um baile
de debutantes nacional. Realmente inovador!", Carlos Scomazzon
"Governo "repensa"? E qual indício permite supor que
tenha algum dia "pensado"? Vem aí algo genial, do tipo "autor-voluntário":
os autores pagam o Estado para ele divulgar suas obras, ou "autor-social":
o autor divulga livro e leitura, mas ao mesmo tempo limpa algum monumento e
faz assistencialismo em área carente, ou o "autor-OSPA": vire-se
atrás de espaço! Ou o auto-aeroporto: bye bye! (este é
o mais provável produto do "repensamento"). Francamente, a
gestão da cultura imita Camões: "...vi ao bem suceder mal,
e ao mal, muito pior, e vejo-me a mim que espalho tristes palavras ao vento."
Precisamos de uma contagem regressiva para o fim dessa situação
deprimente, humilhante para a cultura.", Francisco Marshall
"O projeto Autor Presente foi sempre a nossa primeira vitrine no início
de carreira. Através dele muitos escritores aprimoraram seus contatos
com o público leitor e tomaram conhecimento de quem realmente nos torna
conhecidos e admirados dos leitores em potencial, que de outra forma não
teriam possibilidade de se aproximar dos livros: as professoras. Mas política
é política e competência é competência. Concordo
em ressaltar o esforço do pessoal do IEL em fazer as coisas bem feitas,
mas as des-ordens vêm de cima, e isso em qualquer nível. Daí
que nos resta torcer para que o projeto não termine e mais escritores
possam surgir por meio dele.", Kalunga
"O autor-presente faz com que a criança tenha o imenso prazer de
estar junto do escritor,da sua obra.Em anos anteriores tive a oportunidade de
intermediar esse contato das crianças da escola onde trabalhei e ver
o qto é gratificante ao aluno esse momento.É lastimável
o Instituto e o programa Autor Presente cair no esquecimento ou descaso.",
Magda Brito
"O Governo repensando o Programa Autor Presente,para mim, só pode
dar uma alternativa. Exclusão do Programa. É o que fazem com os
bons programas culturais,veja a indicação da pasta da Secretaria
de Cultura. Alguém deve estar de olho nesta verba, com certeza.",
Jacira Fagundes
"Não entendo como o Governo, pode \"repensar\" ou \"paralisar\"
um projeto como esse. Como bem foi dito, o projeto consiste em aproximar estudantes
muitas vezes carentes, do autor, ou seja dissiminação de cultura
incentivo a leitura. O que deve ser repensado nos Governos é a má
aplicação dos recursos na cultura, e não paralisar projetos
que tem resultado positivo. Mais uma vez, a cultura sofre descaso por parte
do Governo Estadual, o que considero uma lástima. Mas nada foge do rumo
que a cultura vem tomando no Brasil, uma vez que o ex - Ministro Gilberto Gil
aplicou menos de 13% do orçamento. Descaso , é isso que ocorre
no meu entendimento.", Letícia Coelho
"Tenho participado, já há alguns anos, do Autor Presente.
Penso-o como uma das poucas (e talvez únicas) oportunidades que algumas
comunidades mais carentes têm de encontro com escritores e de poderem
experienciar a necessária magia que se estabelece entre aquele que escreve
e aquele que o lê. Estive este ano, via IEL, na Ilha dos Marinheiros,em
Porto Alegre. Momento especial, em que uma escola com poucos recursos financeiros
realizou momento de reflexão e de ludicidade envolvendo meus textos.
Ato que jamais ocorreria, creio, caso o Autor Presente estivesse suspenso. O
Autor Presente, como projeto público, foi em sua criação
atividade inovadora. Hoje, necesssita, é claro, de alguns ajustes, sobretudo
no que diz respeito à capacitação dos fomentadores de leitura,
todavia, pensar na possibilidade de cancelamento, mesmo que provisório,
do Autor Presente não pode ser visto, nem hoje nem nunca, como atitude
acertada. O Autor Presente, por ser marco no processo de divulgação
da literatura sul-riograndense e de seus autores, será sempre necessidade
da comunidade cultural gaúcha.", Caio Riter
"O descaso com o IEL, como bem ressaltou Luiz Paulo Faccioli, insere-se
num contexto mais amplo de desrespeito total à cultura pelo governo do
Estado. Há insatisfação generalizada entre os artistas
e intelectuais gaúchos de todas as áreas, a Sedac é alvo
constante de críticas em artigos, notas e entrevistas; envolve-se a todo
o momento em gafes e escândalos. Não raro é motivo de piadas,
humor com o qual nos defendemos do sofrimento decorrente da situação
caótica e surrealista à qual foi condenada a cultura no Rio Grande
do Sul. Precisamos reverter esse quadro, e o Artistas Gaúchos, assim
como todas as demais vozes de alerta, podem ser o sinal de uma ação
mais organizada neste sentido.", Laís Chaffe
"Sou fã, sempre fui, do projeto \"Autor Presente\". Participo
dele há uma década e meia. Quer dizer, PARTICIPAVA. Na mesma proporção
dos agendamentos ano a ano estarem sendo reduzidos em função de
verba não ser repassada segundo as necessidades, eu, ano a ano, tenho
sido \"menos solicitado\". Menos ou as solicitações
que chegam são negadas pela verba que não existe? Claro que a
resposta é esta. Ninguém nos esqueceu, nem as escolas, as que
lutam, nem os heróicos funcionários do IEL e sua direção,
que tentam o que podem e até o que não podem. Mas se o dinheiro
cada vez chega menos... \"Repensar\"?! Repensar o quê? O projeto
andava bem, obrigado, e, independente de, poder, sim, sofrer alguns ajustes,
o drama hoje não é o seu funcionamento, mas o seu não-funcionamento
com o oxigênio que a Secretaria de Estado da Cultura está lhe negando.
Lamentável.", Paulo Bentancur
"A mera aproximação entre escritores e leitores, mediados
pela escola, não resolve a problemática da inclusão cultural
via literatura. É preciso que o IEL pense de forma mais ampla, como,
por exemplo, um projeto que vise a formação de professores-leitores
e bibliotecários e também o fortalecimento e modernização
das bibliotecas públicas(acervo e infra-estrutura) não apenas
dentro das escolas, mas nas comunidades. O acesso a literatura não é
resolvido com um simples bate-papo entre autores e estudantes", Paula
Mastroberti
"Não é preciso nem ler toda a matéria, pois quando
se trata de algo advindo deste governo que aí está, é praticamente
certo que coisas boas não vem. Vejamos a questão do fechamento
de mais de uma centena de escolas, da falta de professores e por aí vai
a lista de incompetências deste novo jeito de governar. Como pedagogo,
escritor e músico, penso que tudo isso é um grande lamento ao
fomento cultural deste estado e da postergação do processo do
conhecimento e da elasticidade de raciocinar, que ao que parece, é o
que este governo que aí está, não quer, nem mesmo nas gerações
futuras. No entanto, penso que seja este um preço justo a pagar devido
ao ato reacionário de muitos gaúchos e suas arrogâncias.
Enquanto isso, outros estados até então tidos como retrógados
já ultrapassaram o Rio Grande há muito, em vários seguimentos.
Finalizando eu me questiono constantemente; se este é o estado mais politizado
do país, o que sobra para os outros, porém, os outros estão
passando a frente como já disse. É hora de repensar alguns conceitos",
Luigi Matté
"Nova roupagem... Ah, esse eufemismo nós bem conhecemos. Se a roupa
de hoje, feita sob medida, é bela e aprovadíssima por anos a fio,
será que um prêt-à-porter de última hora,
e presumivelmente mais barato, mais pobre, mais banal, vai resolver?",
Luiz Antônio de Assis Brasil
"O Autor Presente iniciou com uma idéia genial: aproximar leitores
e escritores. Evoluiu, com as leituras prévias e o apoio aos professores.
Era um evento de baixo custo, pois a importância da idéia cativava
os escritores e as escolas. E, havia, ainda, os fascículos! O projeto
está descurado, está, agora, uma caricatura. Mas, algumas pessoas,
dentro do IEL, ainda lutam bravamente. Nós, escritores, devemos dar-lhes
o conforto de nossa solidariedade; infelizmente, a Cultura deixou de ter qualquer
importância, no Rio Grande do Sul atual. Mas, a História é
cíclica, não esqueçamos disso.", Valesca de
Assis