ESPECIAL PRODUÇÃO CULTURAL
O
Portal Artistas Gaúchos está criando uma sessão
especial para ajudar artistas e produtores independentes com suas
dúvidas relacionadas a editais, montagens, enfim, todo o tipo
de projeto cultural. A sessão é uma parceria com a LIGA
e as questões serão analisadas e respondidas por Dedé
Ribeiro e Luiza Pires. Esta sessão também publicará
dicas e notícias relacionadas com gestão e produção
cultural. Participe!
Envie sua pergunta para dede@liga.art.br
Algumas respostas de Dedé Ribeiro
Como preparar um bom portfólio? O que
preciso observar? O que é mais importante? Acho sempre difícil
apresentar resumidamente o que realizei ao longo de minha trajetória
como artista, não sei o que priorizar e nem muito bem o que
observar para poder apresentar de forma a que possa competir com o
que hoje esteja sendo realizado. Ah, minha área é Artes
Plásticas.
(Maria Elena Gerhardt, Meg)
Meg, não existe uma fórmula pronta. Os
portfólios dependem muito da criatividade de casa artista.
Alguns recorrem a um designer gráfico e outros dão conta
desta parte sozinhos. Atualmente as capas artesanais são mais
valorizadas que antes (antes significavam falta de profissionalismo,
mas agora já não), e o melhor formato segue sendo o
A4, por ser manuseado e arquivado com mais facilidade. Os textos devem
ser curtos, simples e diretos, com uma linguagem jornalística.
Se houver textos poéticos, eles devem ser apresentados junto
com as fotos da obra e não dentro do texto de apresentação,
para não comprometer a objetividade. As fotos de obras devem
ter a melhor qualidade de obtenção e reprodução,
senão funcionam como "gol contra". Pode-se incluir
reprodução de matérias jornalísticas,
mas apenas as 4 ou 5 melhores. Não esquecer nunca o contato
da artista em destaque.
Sou coordenador da área de comunicação social
em um órgão público de Belo Horizonte, mas não
sou jornalista e nem estudo na área, faço arquitetura
(é meu grande amor), por isso gostaria de te perguntar como
faço para tirar o Registro Profissional de Produtor Executivo?
Só consigo fazendo curso técnico na área?
(MCs Don e Mingau)
Eu não sei como está a situação
do SATED (Sindicato dos artistas e técnicos em espetáculo
de diversão) em BH, mas na maior parte do Brasil é este
o sindicato responsável pelo encaminhamento do registro profissional
ao Ministério do Trabalho. O SATED vai exigir a comprovação
da produção de 3 produções ou o diploma
em curso superior cadastrado (o próprio SATED deve informar
se há algum aí em BH).
Dedé, quero agenciar e vender shows de 5 músicos e pretendo
também vender o shows deles pelo Brasil. Como funciona esse
tipo de trabalho burocraticamente? E como deve ser o escritório?
Tem algum lugar onde eu possa coletar essas informações?
(MCs Don e Mingau)
Burocraticamente, tem que procurar um contador e pedir
que ele abra uma empresa de Produção Cultural. Para
o registro profissional (não obrigatório) precisa procurar
o SATED de seu estado, pois é o SATED que encaminha a carteira
de trabalho para o Ministério do Trabalho (em alguns Estados
brasileiros, esse registro não tem utilidade e ninguém
faz). O escritório é como qualquer outro, muitos produtores
nem tem escritório. Basta um computador com internet rápida
e um telefone sempre ligado. Espero ter ajudado...
Qual a melhor forma de remunerar um produtor executivo em um projeto
aprovado pela lei rouanet de nove meses? Por salário mensal,
comissão de valor captado ou cachê?
(Aline Proetti)
Olá, Aline! Isso depende um pouco do tipo de
trabalho. Se o produtor executivo estará atuando em todas as
etapas do projeto, o melhor é um valor mensal (que entrará
na forma de cachê e não de salário, já
que a Lei não prevê encargos trabalhistas). Se ele atuar
apenas em determinada etapa (ex. acompanhar artista em turnê),
então o cachê pode ser pago de uma só vez (ou
duas, 50% antes e 50% depois). Apenas o captador de recursos (agenciador,
na nomenclatura utilizada pelo MinC) recebe por comissão.
Dedé, tenho uma dúvida a respeito de qual é a
melhor maneira de encaminhar um projeto às Leis de Incentivo
(Fumproarte e LIC Federal, especificamente), se como pessoa física
ou pessoa jurídica? A única diferença é
que se o proponente for pessoa jurídica eu pagaria mais impostos
(20% + 11% de INSS) do que como pessoa física (20% de INSS)?
Qual a tua recomendação nesse caso?
(Fabiana Fonseca)
Cada caso é um caso. O Fumproarte se torna mais
simples no caso de pessoa física, mas a LIC e a Rouanet são
o oposto. O valor do projeto pode ser mais alto no caso de pessoa
jurídica. Sobre os impostos, quem vai pagar são os teus
fornecedores e pessoas que contratares. Eles é que devem fornecer
a nota fiscal e a porcentagem de impostos depende de cada empresa.
Neste caso é que seria interessante não contratar pessoa
física, pois daí tens que reter imposto na fonte.
Criei um grupo de teatro com alguns amigos e o local escolhido fica
em frente ao meu prédio, onde existia um antigo armazém,
no bairro Cristo Redentor. A proprietária do local mora nos
fundos e estou locando esse espaço como atelier artístico.
O espaço tem capacidade para 25 pessoas sentadas e já
providenciei um pequeno palco. Sabe me informar se tenho que tramitar
alguma licença junto à prefeitura ou à Secretaria
de Cultura? Podemos cobrar ingresso? Isso nos ajudaria para pagar
o aluguel.
(Tânia Cavalheiro)
Tânia, neste caso, terás de proceder como
qualquer espaço comercial. Abrir uma empresa e solicitar o
alvará da prefeitura para o funcionamento. O espaço
público será sujeito às vistorias, desde instalações
sanitárias até a inspenção dos bombeiros.
O contador que for proceder a abertura da tua empresa pode te esclarecer
melhor sobre os aspectos burocráticos. Normalmente, todos estes
procedimentos são bastante custosos e esta é a razão
da maioria dos grupos teatrais não terem sede própria.
Sugiro que procures uma associação, empresa ou instituição
do próprio bairro que se interesse em subvencionar o espaço.
Um grande abraço e sorte na empreitada!
O que você acha que um músico deve fazer quando um jornalista
diz que seu trabalho será analisado e aguarde sobre o dia que
entrará na pauta, dia este que normalmente nem o jornalista
e muito menos o artista sabe. Pode ser o dia do São Nunca?
E caso assim seja, este tipo de situação gera uma série
de questionamentos para o artista tipo:o que há de errado com
o trabalho que encaminhei?
(Felipe Azevedo)
Como o jornalismo diário é bastante ágil,
o ideal é criar algum evento datado. Assim o jornalista tem
um "gancho" para publicar. Um motivo para que seja naquele
dia específico. Se não existe data limite, a matéria
acaba ficando para segundo plano, dando lugar ao que tem prazo.
Uma das situações de maior questionamento para um músico
refere-se ao contato com jornalistas. Você prepara um release
em que condições? Quais dados você recomenda que
deva constar?
(Felipe Azevedo)
A situação ideal é contratar um
divulgador ou assessor de imprensa, que é o profissional aparelhado
para fazer este tipo de contato. De qualquer forma, o release deve
ser redigido em liguagem direta, jornalistica e colocado no corpo
do e-mail (sem anexos, a não ser que eles sejam solicitados
pelo jornalista). Os dados referentes ao serviço (data, hora,
local, preço) devem estar em negrito ou destacados do texto.
A idéia é interessas ao jornalista, para que ele solicite
mais informações, portanto deve ser um texto curto e
atraente.
É possível entrar por um caminho mais fácil e
ágil num financiamento ou patrocínio para a FESTIPOA
literária?
(Fernando Ramos)
Infelizmente não há caminho fácil e ágil
no financiamento público. Rapidez é prerrogativa de
algumas empresas privadas que utilizam sua verba de marketing, não
contando com isenção fiscal. Para o Festipoa há
vários caminhos: Rouanet e LIC só valem a pena se já
houver um patrocinador interessado (prazo de aprovação
atual de 4 a 11 meses...). O Fumproarte não tem histórico
de aprovar edições de festivais, mas legalmente não
há impedimento ( inscrições abertas para o próximo
semestre). Também sugiro um contato com a Coordenação
do Livro e Literatura do Município, com o Instituto Estadual
do Livro e com a Câmara Riograndense do Livro, para que eles
indiquem possibilidades de parcerias e financiamento.
Cada cidade do RS tem uma Lei de Incentivo à Cultura diferente?
(Marcelo Spalding)
Poucas cidades do RS já tem sua Lei de Incentivo. Em geral
elas permitem que as empresas invistam parte do ISSQN ou do IPTU devidos
em projetos culturais. A Secretaria de Cultura (em algumas cidades
é junto com a Secretaria de Educação ou de Turismo)
da cidade poderá dar as informações de funcionamento
da lei de cada município. Porto Alegre já teve uma Lei
de Incentivo nestes moldes, mas nunca foi regulamentada e acabou caducando.
Agora a Secretaria de Cultura está estudando novamente a implementação.
Por outro lado, Porto Alegre tem o Fumproarte, que faz relação
direta entre o poder público e o proponente, financiando até
80% do valor do projeto cultural.
Confira também: informações úteis aos
artistas
Esse serviço é um oferecimento de:
