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Comentários e Críticas

"“Sobre Anjos & Grilos": Mário Quintana não poderia estar em melhores mãos, e voz!!! Durante todo o tempo do espetáculo Deborah Finocchiaro flui pelo palco vestida de branco nos embalando com a simplicidade e delicadeza da linguagem do nosso anjo poeta. É dramática, engraçada, criativa, nos arrepia e comove...
Canta, dança, brinca, pula corda, se movimenta com a leveza e vigor de fazer inveja a um atleta ou mesmo uma bailarina clássica.
O espetáculo entrelaça poesia, artes plásticas e música prendendo nossa atenção do início ao fim, tudo isso e muito mais!

Obrigada Deborah, por manter nosso Mário tão vivo.

Márcia de Abreu Jacintho"

Comentário de Márcia de Abreu Jacintho, sobre a apresentação de "Sobre Anjos & Grilos", no dia 01 de agosto de 2014, na I Mostra de Artes Cênicas e Música do Teatro Glênio Peres

“Começo pelo óbvio ululante: és uma atriz natural, de estonteante versatilidade!  Sabes ser natural sem apelar para momices e trejeitos, que debilitariam tuas performances. Sabes ser natural porque faz parte de tua "natureza" seres o que és: uma  esplêndida e deliciosa bufa - no mais alto sentido da expressão, e uma atriz dramática, quando o texto te impõe a reflexão, e a emoção do texto te sugere uma adequação controlada pelas nuanças da emotividade...  Adorei teu critério na escolha dos poemas de Quintana. Optaste - e pela tua seleção te felicito com veemência -  por um viés inédito: - o do lirismo agudo, por vezes, metafísico, cá é lá surrealista, porém sempre comunicativo do Grande Poeta, por sua denúncia do burguesismo da sociedade, por seu nonsense impregnado de verdadeiro Humanismo. Esse nonsense acaba varrendo do palco - e da memória e imaginação dos que assistem  aos shows, a hipocrisia, as falsas pompas do status, a onipotência do dinheiro... Fazes rir os espectadores por fora, e os fazes chorar por dentro, uma vez que as lágrimas que Quintana provoca nunca são lágrimas de umedecimento de pupilas: são lágrimas de coração que não se rende à mediocridade da vida cotidiana... ... Parabéns, parabéns , querida Deborah! Que Deus te ajude a divertir e a conscientizar o público, a semear-lhe, como quem está brincando com o fogo, nas mentes e corações, o que de melhor existe na nossa condição humana: a solidariedade, e o amor ao próximo. A Arte não é moralista, nem precisa disso. A Arte é uma ética, e nos seus mais puros momentos nos sugere que Deus existe...”

Armindo Trevisan,  poeta, crítico de arte e ensaísta  - 15/01/14 - Porto Alegre/RS
Sobre SOBRE ANJOS & GRILOS - O UNIVERSO DE MARIO QUINTANA

Livre Performática e Poética
Por Lucianno Maza - Dramaturgo, diretor e crítico de teatro
Crítico convidado do 7º Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora/MG- em 03/09/2013

Em 1993, uma atriz gaúcha, então desconhecida, surgiu em festivais e temporadas pelo país com o espetáculo“Pois é, Vizinha”, sua adaptação para o texto “Una Donna Sola” dos italianos Dario Fo e Franca Rame. O monólogo tragicômico sobre uma dona do lar casada e - por isso mesmo - solitária revelava Deborah Finocchiaro como uma criadora que sabia urdir os elementos empáticos da franca comédia sem sublimar a violência do cotidiano patético da história, num bravo exercício de sensibilidade ao gênero. O termo criadora cabe melhor do que o epíteto de atriz, diretora e adaptadora – funções por ela exercidas -, uma vez que a unidade das intenções cênicas marcava a montagem.

Tanto tempo entregue àquela mulher solitária que fez - e continua fazendo - sucesso, poderia limitar o horizonte de possibilidades de interpretação, mas, desde 2006, Finocchiaro, no também solo “Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario Quintana”, abandona a composição de uma personagem bem delineada para extrapolar a si mesma como performer neste espetáculo a partir da obra de um dos maiores escritores brasileiros, o também gaúcho Mario Quintana (1906-1994): “o poeta das coisas simples”.

Vestindo a poesia 
Com um vasto, rico e consagrado material literário em mãos, a criadora entende a poesia como uma possibilidade de vida, renegando a declamação e fugindo das esperadas impostações e cadências regulares a iniciativas pares. Não, aqui, Finocchiaro é anárquica em seu entendimento: desobedece, desordena e usa a poesia moldando-a em si, tomando-a, vestindo-a, deglutindo suas palavras em diferentes interpretações, de forma muito livre e pessoal no que de mais potente tem enquanto acontecimento. Nesse sentido, preciso trair para ser fiel, desestruturar para encontrar a essência das coisas. Essência essa que acaba escondida pelo invólucro que se cria ao longo dos anos para uma obra célebre e intocável. 

O roteiro reúne uma série de poemas de diferentes tamanhos, formatos e temas, mas prioriza, sobretudo na primeira parte, aqueles mais existencialistas, expondo a mordaz ironia e inquietação do autor. Também passagens de declarações do próprio aparecem ora em cena por meio da intérprete e ora em locução gravada pelo ator Paulo José. A liberdade na construção do texto cênico se dá na despreocupação por uma setorização ou cronologia, com os textos surgindo quando convenientes na maior parte do tempo e, por vezes, parecendo repetir-se de forma espiralada. Fechadas em si mesmas, as cenas se sucedem e por vezes têm-se a impressão de um falso final, característica que, a gosto, pode impressionar mais nesse ou naquele momento.

Integração na performance 
Mais uma vez, como em “Pois é, Vizinha”, é difícil separar atriz, roteirista e codiretora – dessa vez ela é acompanhada na direção por Jessé Oliveira. As opções de dramaturgia e encenação surgem inseparáveis à atriz no palco e aqui, numa concepção mais arrojada, Finocchiaro tem a oportunidade de exibir um trabalho virtuosista ao compor inúmeras personalidades do humor à melancolia e utilizar elementos musicais como na prosódia vocal ou na percussão das teclas de uma máquina de escrever. Todos esses estilhaços partem de uma mesma persona. Ainda que teatralizada numa dramatização prévia, a performance se dá nesse sentido, com a criadora construindo e desconstruindo suas cenas entremeadas por um forte discurso.

Destaca-se a interação com a projeção que deixa de ser mero pano de fundo - paisagem -, para se tornar um outro elemento de expressividade - tal qual corpo e voz - utilizada pela intérprete para desenhar suas situações. As imagens da artística plástica Zoravia Bettiol possuem traços naïf lembrando a simplicidade e encantamento dos desenhos infantis, materializando elementos sem impor uma imagem como ilustração meramente realista, mas sim exercício de imaginação lúdica de uma realidade, tal qual é o filtro da poesia. A forma de animação escolhida para dar movimento a esses desenhos também segue esse caminho, trabalhando com a sobreposição e profundidade das imagens estáticas remetendo a um tipo de recurso de desenho animado clássico.

O figurino único de Raquel Cappelletto tem um pouco de volume romântico e sobreposições funcionais para os diversos momentos, com uma neutralidade essencial, mas também é moderno seja em seu comprimento ou recorte, lembrando o lugar do qual parte este encontro (agora). Igualmente servindo a cena está a iluminação de Fabrício Simões e do codiretor Oliveira que, lançando mão de poucos equipamentos, dosa corretamente a quantidade de luz para não interferir na projeção de vídeo, sem com isso deixar a intérprete no escuro, tendo bom uso dos feixes laterais. A música de Chico Ferretti consegue equilibrar a sensação agradável etérea até momentos mais intensos de rock, inflamando assim o que é dito.

Autoral sem ser personalista, Deborah Finocchiaro demonstra que o criador tange as várias funções dentro do fazer, nesse delicado e belo pedaço de poesia e vida que é “Sobre Anjos & Grilos – O Universo de Mario Quintana”assinado por sua Cia. De Solos e Bem Acompanhados.

Disponível em http://www.zinecultural.com/blog/cultura/sob-as-asas-da-poesia-7-festival-nacional-de-teatro-critica


Sob as Asas da Poesia
Por Eliane Lisboa
Professora de teatro no curso de Arte e Mídia da Universidade Federal de Campina Grande (PB), diretora teatral, dramaturga, dramaturgista e tradutora.
Crítica convidada do 7º Festival Nacional de Teatro - em 03/09/2013

Todo espetáculo começa pelas escolhas, um espetáculo de poesia pela escolha do poeta e aí já se anuncia um dos traços de sabedoria da atriz: escolher Quintana, dizer Quintana.  Mas que Quintana, se há tantos!

Pois são esses tantos Quintanas que nos apresenta Deborah Finocchiaro, fazendo com que cada um deles a transforme, atravessando a atriz e configurando-a de uma outra forma, indo do trágico ao lírico, da infância à maturidade, do olhar “malino”, esperto ou inocente, do anjo Malaquias sobre o mundo em que estamos, o poeta à atriz e a nós.

O jogo de construção é dos mais inteligentes para driblar o risco permanente de virar um recital, em que se despejem poemas um atrás do outro e que poderia, em poucos minutos, nos fazer voar – num espetáculo de tantas asas - para outros lugares.  Em companhia dos “anjos e grilos” voamos sim, mas para dentro de nós, com a atriz e o poeta, e para fora de nós, juntos os três, “correndo, cantando e rindo” como disse outro poeta, o bruxo lusitano.

Há uma sábia utilização de uma aparentemente simples – como é aparentemente simples a poesia do próprio Quintana - conjugação de elementos sonoros, visuais, gestuais, cenográficos. Conjugação de talentos, fruto, mais uma vez, de uma sábia escolha.  Mas o encantamento da cena se faz no uso destes elementos e como se combinam com o corpo/ voz/ gestos da atriz; como as imagens que se projetam sobre este figurino branco habitado, dando ao poema outra dimensão, abrindo, ampliando o seu dizer.

Este Quintana em Deborah de todo modo é um encontro de sabedorias: da atriz, que através dos versos do poeta gaúcho nos fala do mundo, dos seus problemas e de sua magia. Do grande mundo, de infinita beleza, que há nas pequenas coisas. Da beleza que existe no mistério da vida, do simples ato de viver.   

Deborah é atriz inteira em cena, pulsando com as palavras, no ritmo e tempo delas, no ritmo do tempo delas, no tempo dos temas escolhidos, falando de tudo e de todos, como bem o fez o poeta. Uma fala que se transfigura a cada instante onde a atriz assume o poema como seu, reescreve o poema des/autorizada ou não pelo seu primeiro autor, que já não está mais aqui para nos dizer o que acharia disso, desse apossar-se de seus versos de maneira tão própria. Certamente aplaudiria como nós, às vezes se perguntando se teria mesmo sido ele o autor daquelas palavras.

A interpretação diz mais do que o poema, diz o mesmo, diz outra coisa?  No caso de Deborah esta outra coisa jamais nega o poema, abre-o... A atriz apropria-se sim dos poemas, faz deles seus poemas, agradecendo inúmeras vezes ao poeta por tê-los escrito, por permitir-lhe dizer o que quer e pensa através deles.  
Por isso, na delicadeza desta construção onde imagens plásticas, visuais e sonoras, junto com o verbo, nos falam, viajamos pelo espaço nas asas de um anjo poeta e o vemos transformado em estrela no céu; compreendemos que a poesia aqui ocupa um outro lugar.  Que há uma autoria composta por muitas assinaturas, em que a atriz dá sempre sua última palavra, pois é a entonação de sua voz, a expressão de seu rosto, a dimensão de seu gesto, que dão a palavra final no instante da cena.

Onde Lili é atrevida e ingênua, onde o tempo da fala ganha a música do teclado da velha máquina de escrever, onde o pular corda determina o tempo (e nisso a intenção) do dizer.  

E assim como se apropria dos poemas, a atriz apropria-se também das imagens, compõe com elas, brinca com elas, num jogo de rara interação entre projeções, luzes e atriz, onde nada é simplesmente cenário ou iluminação, mas tudo é dramaturgia, interpretação, leituras, dizeres.

Neste espetáculo tão bem amarrado, alguns poucos questionamentos nos surgem, como esta sensação de um falso final no instante em que a atriz se curva frente ao poeta. Depois de tantos anos na estrada, com o conforto e o domínio da cena que só esta vivência traz, onde certamente já ouviu esta observação, perguntamo-nos porque a atriz ainda o mantém. E se um pedido de licença poética fosse, que se abrisse então o espetáculo com ele.  Mas, sobretudo, é este gesto que afinal, perigosamente, surge em sua mesma forma na saudação à garrafa de coca-cola, perdendo um pouco no primeiro caso, e afirmando-se contraditoriamente no segundo.

Também nos parece que algumas passagens ainda não se definem, como pequenas pausas, onde a atriz respira e parte para um novo momento, sem a leveza e fluidez de outras passagens em que o espetáculo nos conduz de modo imperceptível a um outro estado e lugar.  

Finalmente, num espetáculo tão bem desenhado, de pura homenagem ao poeta que falou por nós tantas coisas que gostaríamos de dizer, e com a beleza e sabedoria que não saberíamos construir,  desnecessário se faz, nos parece, a atriz introduzir em cena uma sua própria fala, absolutamente pessoal, para nos dizer de seu amor pelo poeta.  Ele já está dito, proclamado, gritado, no todo deste espetáculo. Qualquer outro discurso ali é redundante, é menos e não mais, desnecessário, portanto, em espetáculo que já nos diz e emociona tanto, ao que se soma a paixão comum pelo mesmo poeta.

Saímos do espetáculo abençoados, protegidos pelas asas benfazejas de Deborah-Quintana, e tomados pela imensa alegria de viver que sua cena transpira.


Opera Quintana

“Poeminho do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho! 
(Prosa e Verso, 1978)”


Um raio fulminante de luzes e dramaturgia, de poética inconteste, varreu o solo do palco do Theatro 4 de Setembro, em Teresina, na noite do dia 07 de agosto de 2012, às 20 horas e não deixou rastro de descontentamento da recepção que foi conferir “Sobre Anjos e Grilhos – O Universo de Mario Quintana”. 
Em espelho de ator e método livres, a contar o cotidiano contumaz pelo olhar do poeta gaúcho, de Alegrete, esteve cheia de graça, alegria e virtuose mimetizada entre obra e artista quintaniano, a atriz Deborah Finocchiaro que não deixou sobra de não entendimento, nem sombra de falha de compreensão das falas de Mario.
Com Textos e Poemas de Mario Quitana, Concepção, Roteiro e Atuação de Deborah Finocchiaro e Direção de Deborah F. e Jessé Oliveira, a pérola prospectada em mar revolto e profundezas poéticas quintanianas vingou respostas de impactos e enleio dramático à peça em expiação gratificada para Anjos e Grilos em vociferados sigilos e pianíssimas memórias segredadas, na fórmula cartesiana para razão e sensibilidade de “Sobre Anjos e Grilos – O Universo de Mario Quintana”.
A melhor companhia àquela noite, de 7 de agosto, a Cia., Solos & Bem Humorados, com D. Finocchiaro em expansão de luminosos desenhos de dramaturgia acertada e ciência da cena experimentada para placebos poéticos e fusões de dramas e ironias do poeta, sua obra, sua hora e seu tempo de premeditadas polifonias.
Toda a obra contemplada de autor à dramaturgia expandida(Deborah Finocchiaro); da direção de cena( D. Finoccchiaro e Jessé Oliveira) aos desenhos de luz(Fabrício Simões e Jessé Oliveira);das Imagens (Zoravia Bettiol) à Trilha Sonora Original de Chico Ferreti, Laura Finocchiaro(Ecogliter), Lory Finocchiaro(Baleada Noturna) e a pesquisa musical para 4ª. Sinfonia de Mahler e Concertos de Brandenburgo No. 4 e 5, de Johann S. Bach, uma virtuose sonora que se vai mimetizando aos arroubos poético de Mario a Deborah e da atriz à assistência.
O alter ego da personagem contadora de história, em metalinguismos contagiantes, que se apresenta através da voz do grande Paulo José, um dialogismo entre o poeta e sua obra, entre o cotidiano contado e a poeta contadora dos causos da simplicidade, de melhor vida observada, para registros do riso e do nunca esquecimento.
A cenografia, uma cadeira, uma bancada suporte para a máquina de escrever e uma tela para planos de sombras, luz e cena de distanciamentos e proximidades de fantasia e lúdico experimentados. 
O uso das projeções animadas parece sair das páginas poéticas transmutadas às falas da personagem contadora do poeta. Uma sincronia irretocável da atriz para a imagem, do imagético ao transcendente universo de poemas e versos em prosa muito bem articulada em tablado.
O Figurino de Raquel Cappelletto, de uma neutralidade incisiva e de uma ordem complementar, não passa despercebido. Necessário em todo o gesto, corpo, coreografias e intenção finalizados à troca da comunicação expressa. 
“Sobre Anjos e Grilos...” uma cepa qualificada de teatro vivo e, em expansão qualificada, em que o público se depara com anjos e decaídos felizes à terra de construções frasais de efeito mordaz e sempre dentro da recepção de ação e efeito cênicos de inteligência e rara beleza.
A iluminação grave para feitos e efeitos de técnica invejável. A mixagem musical aos contornos dinâmicos da ação interpretada, a melhor prova dos nove. Sons, luzes, imagens animadas, signos e siglas poéticos, emblemas e ilustrações de natureza criativa em mímesis da humanidade experimentada, um luxo de concentrado ato dramático eficaz.
Definem para acertos de contas, às cartas da manga marioquintanianas, a performance inteira de Deborah Finoccchiaro, em poeta feito forma vívida, e a equipe fechada que assina como Companhia de Solos & Bem Acompanhados.
“Sobre Anjos e Grilos...”, não se pode deixar de mencionar o preciso serviço de Operação de Luz, do também Responsável Técnico, Leandro Ross Pires, e a Operação de Som e Imagens, de Tito Grando.
Belo espetáculo, para luas, céus, mares, terras e cortiços urbanos, anjos e grilos, poetas das letras e da cena, tecnologias testadas em resultados minimamente refinados e, sobretudo, teatro em fórmula e forma concentrado à cena viva.
Confesso que marioquitanianamente amo esse anjo poeta e grilo perseverante que assina-se como Mario, de alma sempre alegre, já que de Alegrete (RS). E amo também o Mario de Deborah Finocchiaro e da Cia., Solos & Bem Acompanhados, filho desse Brasil gaúcho, recorte do matiz da criação nacional.

Nada + a declarar.

Maneco Nascimento (Ator e Diretor do Teatro João Paulo II - Teresina - PI) 
Blog Maneco Nascimento


A beleza esteve em Teresina!

Faço referência ao espetáculo “Sobre Anjos & Grilos”, ancorado na poética de Mario Quintana e com a vibrante performance de Deborah Finocchiaro. Delicadeza e profundidade pisaram no palco do Teatro 4 de Setembro, em 7 de agosto de 2012. O poeta gaúcho, nascido em Alegrete, ganhou uma representação cênica afinada com o encanto da sua poesia. O solo de uma atriz bem acompanhado dos poemas e textos de um poeta subvertedor e transcendente. Vamos quintanear: “Eu acho que todos deveriam fazer versos. Ainda que saiam maus, não tem importância. É preferível, para a alma humana, fazer maus versos a não fazer nenhum”. * “Uma formiguinha atravessa , em diagonal, a página ainda em branco. Mas ele, aquela noite, não escreveu nada. Para quê? por ali já havia passado o frêmito e o mistério da vida...” * “Eles ergueram a torre de Babel para escalar o céu. Mas Deus não estava lá! Estava ali mesmo, entre eles, ajudando a construir a torre”. * “Dizem que o poeta é produto do meio. Bobagem! O poeta é um produto contra o meio”. O teatro está vivo!

Francisco Junior – Teresina, 08 de agosto de 2012

 


“O PALCO DA DELICADEZA
Veio lá de Porto Alegre, o espetáculo Sobre anjos e grilos - o universo de Mário Quintana, da Companhia de Solos & Bem Acompanhados, com a talentosíssima Deborah Finocchiaro.
O drama cede lugar à poesia. Em vez de oferecer ao público o "efeito consolador do drama", a companhia gaúcha se impôs a difícil tarefa de transpor o universo lírico cotidiano de Mário Quintana, poeta gaúcho.
Num espetáculo que utiliza com delicadeza a tecnologia, os poemas e textos de Quintana fluem pelo palco, através do corpo e da voz da intérprete que, por vezes "encarna" o poeta, por outras assume o papel de musa, ou apenas de uma voz para as palavras do poeta.
Tecnicamente impecável, tudo confluí para o êxito da tarefa. O palco se torna um altar para as palavras do poeta. Uma homenagem à delicadeza desse homem.
E tudo isso com o sotaque deliciosamente gaúcho, dando um refresco para os ouvidos repletos de "nordestinês".
Ao final da apresentação, o público agradeceu ao presente poético gaúcho com palmas entusiasmadas.
Ponto para a poesia. Ponto para o teatro.
(Deborah Finocchiaro é irmã de Laura Finocchiaro, que assina algumas das interferências musicais da montagem. Eita, família de talento!)”
Celso Jr., ator, diretor e professor de Teatro da Universidade Federal de Sergipe, 22 de março de 2011 - Blog Cadernos Grampeados - Aracaju/SE


Água Bebida na Concha da Mão

“Minha intervenção na poesia de Mário Quintana é com o intuito de relatar exatamente o que aconteceu quando comecei a escrever estas percepções, ou melhor, quando comecei a pensar no que escrever. Avistei a joaninha e em seguida, num estalo, avistei a formiguinha do poema de Mário. Quer coisa mais linda do que uma ligação como essa? Sim, porque talvez o universo que conhecemos está em toda sua integridade e vastidão por debaixo dessa associação, está todo dentro da joaninha viva, da formiguinha apressada, das letras sábias. Esse exemplo de despretensão e simplicidade na escrita vale ouro. Acaba fazendo da arte literária uma arte atemporal, acessível, cativante e popular.

Pois acho que é mais ou menos isso que o poeta gaúcho – nascido em 30 de Julho de 1906, leonino – fazia e gostaria que seus leitores fizessem: boas associações direcionadas à felizes reflexões. Uma mulher – e outras mulheres e outros homens, uma equipe, uma família - eu tenho certeza que alcançou esse ideal: Deborah Finocchiaro, uma das atrizes mais corajosas que eu tive a honra de assistir e conhecer. Corajosa porque ela vai (e foi!) atrás dos seus sonhos, chamou o diretor Jessé Oliveira, a artista plástica Zoravia Bettiol, o compositor Chico Ferretti - e tantos outros - assim montando essa lufada de esperança na vida que é Sobre Anjos e Grilos. E por que razão a união de tantos artistas se a obra é de um único poeta? Simples: a obra de Mário Quintana aborda milhares de assuntos pertinentes em formatos deliciosamente impertinentes! Ele não escreve para a burguesia, elite ou favela. Escreve para a Maria de Todo o Dia, pro João Cara de Pão.

Sou tomado por um tipo de “Efeito Mário Quintana” após ler seus versos. São imediatos, chegam aonde precisam chegar sem esforço aparente, arregalam nossos olhos, são ágeis e cativantes, podendo reverter um conceito cristalizado na mente em pouco tempo. Faz daqueles que repudiam poesia, leitores ativos.

Além de uma poética repleta de imagens escolhida para guiar esse trabalho, o espetáculo é certeiro ao apostar nas coloridas gravuras de Zoravia Bettiol, as quais possuem um dos traços mais infantis que meus olhos já viram, o que é um presente, pois Zoravia tem a liberdade de uma criança. Pablo Picasso disse que passou a vida inteira para aprender a desenhar como uma criança, imagine? 

As gravuras inspiradas no universo do poeta são impecavelmente projetadas em uma tela transparente, são explosões de cores dando forma aos poemas, cenário mais do que adequado para um monólogo de teor celebrativo. A atriz transmite essa mensagem das mais escusas formas que possamos imaginar, expressando-se com cada partezinha do corpo, cada músculo, cada articulação. Em determinada cena, é possível enxergar a silhueta e o movimento da água nos dedos oscilantes de Deborah, que opta pelo engajamento e pela fluidez entre verbo e gesto. O Quintana-Menino é visualizado em praticamente todos os momentos de Sobre Anjos e Grilos, como se houvesse uma necessidade por parte do poeta (e da personagem que encarna seus versos) de retornar à forma pueril de pensar e reagir.

Quando a figura magra e cheia de vida de Finocchiaro aparece pela primeira vez, avistamos um vulto branco rodopiando o chão do palco nu. O traje é lindo, iluminado, solto e leve o suficiente para as constantes travessuras que deixam qualquer adulto de espírito velho enlouquecido. O que se ajusta como uma luva quando posto ao lado da encenação: Deborah fala, pula, canta, chuta e berra como uma legítima criança revelando os mistérios da vida e seus próprios mistérios na vida. Sentado no teatro, pensei: “E essa mesma mulher fez uma puta extraordinária na outra peça, Vozes Urbanas! Tendo o espírito da criança, a personagem vai bater na mesma tecla do piano quantas vezes for necessário, e se a tecla quebrar, parte pra outra! Uma delas há de liberar faíscas de verdade através do som. E é nosso papel a combinação harmônica dos sons para então libertarmo-nos das garras pontiagudas desse meio que humilha, reprime, detona.

E se um balanço for utilizado como auxílio, perfeito! A sensação é de que a atriz vai ser abraçada pela plateia a qualquer momento, sem dúvida uma dos enquadramentos mais líricos. Com tanto para recitar, nossa estrela precisou do suporte de um microfone hilariamente instalado na sua testa! Essa escolha pode provocar rejeição inicial, mas já digo, é só inicial. Depois que nos acostumamos com a voz da atriz e suas variantes, pouco importa se existe ou não microfone. O que importa é a palavra dita pela boca-mente-corpo-coração.

O roteiro, descobri, partiu das entrevistas de Mário Quintana. Foi essa a fonte principal para que os cataventos começassem a girar. Como eu disse anteriormente, os temas abordados pela caneta de Mário são muitos, indo de religião ao consumismo. Sempre lembrando que não importa se acreditamos ou não em Deus, mas se Deus acredita na gente. 

(...) De modo que, se esta civilização desaparecer e seus dispersos e bárbaros sobreviventes tiverem de recomeçar tudo desde o princípio, pensarão eles que Coca-Cola era o nome do nosso Deus!

Depois dessa frase, surge no telão um vulto negro com as curvas do refrigerante mais famoso do mundo e milhares de pessoas ajoelhadas, venerando. A peça leva a plateia à loucura, arrancando muitas gargalhadas. 

Outro tema que muito me marcou foi o progresso desenfreado, causador da aceleração cotidiana. Cada passo dado na rua tem de equivaler à um clique virtual: iniciar, enviar, entrar, conectar, compartilhar, publicar, sair, remover, cancelar, OK. É um novo formato de vida que, ao invés de ajustar-se, suga e escraviza o que vê pela frente. Mas é claro, como toda a regra tem sua exceção, toda situação pode ser revertida. É aí que Sobre Anjos e Grilos entra com toda a robustez sensível que o teatro carrega. Vai lá, Mário:

Preparem-se para uma ligação inusitada: Rubem Fonseca. Ora, e por que não? Já que versei a respeito do progresso descontrolado, deixo aqui um fragmento que resume algumas conseqüências, retirado do inacreditável e corrosivo contoIntestino Grosso: “Estamos matando todos os bichos, nem tatu agüenta, várias raças já foram extintas, um milhão de árvores são derrubadas por dia, daqui a pouco todas as jaguatiricas viraram tapetinho de banheiro, os jacarés do pantanal viraram bolsa e as antas foram comidas nos restaurantes típicos.” 

Outro tema que ficou gravado na minha cabeça foi o da evolução humana, sendo genialmente subvertido: ao invés da evolução a partir do macaco, o inverso! A personagem termina corcunda e aos pulos, guinchando. Antes dessa cena, ela fala sobre os grã-finos, indo da criança ingênua para um mulherão de voz grave e ridiculamente sensual: “-Ai, os grã-finos são tão... Ai, tão... São tão... PRIMITIVOS!

Na poesia de Quintana “as coisas voltam a nos interessar, como se voltássemos a ser o recém-nascido no mundo. E em verdade vos digo: nunca deixamos de o ser”; palavras de Luis Fagundes do Amaral. Aí me pergunto por que nossa sociedade precisa consumir entretenimentos tão bombásticos? Sim, porque se o filme não tiver explosões colossais, milhares de tiros, mocinhos e mocinhas sex simbol, vilões cafajestes e a última cena com um beijo heterossexual; não serve. Será que o motivo é a falta de intensidade na vida das pessoas? A falta de aventura, de amar os simples prazeres da vida? Que, não esquecendo, são simples porque assim os deixamos ser. Acredito que muito possa ser... Temperado com a morte! Como disse o poeta.

O título da peça remete às palavras de Érico Veríssimo e aos poetas mortos. Entretanto a idéia de Quintana como um anjo – ainda mais se católico – é estranha. O poeta era bêbado e sarcástico, praticamente toda sua obra é permeada pela mais fina ironia. 

Tratando-se de um monólogo, toda a informação é concentrada em uma única pessoa, então, pro balão não estourar, imagino que seja necessária muita disciplina por detrás do encanto cênico. Claro que a direção não precisa dividir o enfoque, entretanto a ausência de colegas pode agir de forma inibidora ou o contrário, arrogante. O que mais me atrai em monólogos é a autonomia que eles são capazes de promover ao ator, a independência. Sobre Anjos e Grilos foi o espetáculo que batizou a Companhia de Solos & Bem Acompanhados, nascida em 1993. O nome é maravilhoso, porque realmente, tanto nesta peça quanto na excelente Pois é, Vizinha..., a protagonista está e não está sozinha, já que invoca a companhia da poesia, da vizinha Ana, do João e da Maria, do jovem professor de inglês. 

Ao sair embriagado de letras do Teatro de Câmara Túlio Piva deparei com um senhor na frente do bar Pinacoteca levantando despudoradamente a voz para uma mulher:

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!


A peça atingiu alguma parte do senhor e por ali depositou sua semente. Pois também fui semeado, falta agora desabrochar. Mas isso é comigo. E com vocês!”

Guilherme Nervo, 16 de janeiro de 2010 - percebeoteatro.blogspot.com


Un surrealista brasileño
Otro trabajo de inspiración poética, que abrió el Encuentro (Diálogos cénicos Brasil-Espanha: linguagens híbridas), fue Sobre Anjos & Grilos, de la actriz Deborah Finocchiaro y la Companhia de Solos & Bem Acompanhados, de Porto Alegre. En un despliegue corporal, gestual y vocal notable, la actriz compone un rico mosaico de la vida y los escritos del poeta surrealista Mário Quintana (Porto Alegre, 1906-1994). Lejos del recital o el poemario ilustrado, el montaje consigue una fluida fusión de narración, canción e imágenes, en una rica interacción con una creación videográfica de pintura en animación de Zoravia Bettiol, que crean un mundo fantástico y risueño, entre expresionista y “naif”.
José Henríquez - Revista Primer Acto - cuadernos de investigación teatral, dezembro de 2008 -  Madrid / Espanha


“La edición de este año del Festival Internacional de Teatro de Brasilia - Cena Contemporânea...la Companhia Solos & Bem Acompanhados, que de la mano de la magnífica actriz y directora Deborah Finocchiaro se acerca al mundo poético de, la potencia poética de las palabras de Quintana y un bello trabajo audiovisual ilustrativo van creando un campo artístico realmente cálido, cercano, que te interpela, te hace participar.”
Carlos Gil Zamora - Revista Artez, setembro de 2008 - Bilbao / Espanha


"...a peça encanta não só pelo texto primoroso do poeta gaúcho, mas pela interpretação impecável e a cenografia caprichada. O público sai do teatro entusiasmado. É o caso do consultor de informática Luis Carlos de Abreu. "Assisti vários espetáculos do Cena Contemporânea (festival internacional de teatro de Brasília), mas esse foi, sem sombra de dúvidas, o melhor. Além de ser multimídia, apresenta uma atriz que congrega todos os elementos necessários ao teatro. Você não perde um segundo do espetáculo, fica sempre atento." 
... a abertura do espetáculo, mostra um poeta radical e moderno, ao som da música Baleada Noturna, de Lory Finocchiaro, irmã da atriz. 
Outro grande trunfo do monólogo são os painéis projetados ao longo da apresentação, todos eles desenhados pela artista plástica e designer Zoravia Bettiol. Os desenhos se tornam o complemento perfeito para os poemas e são capazes de provocar lágrimas e risos.
Todos esses que aí estão atravancando o meu caminho, eles passarão... Eu passarinho!, um dos versos mais conhecidos do poeta, foi cantarolado pelo público, regido por Deborah, quase ao final do espetáculo.” 
Aline Adolphs - Site Espaço Brasil Telecom, 10/09/08, Brasília / DF
http://www.espacobrasiltelecom.com.br/noticiaAberta.asp?cd=72


“Conheci Débora Finocchiaro em Campos dos Goytacases - Rio de Janeiro, ano de 2007, durante o II Festival Nacional de Teatro. Senti um enorme fluxo de alegria quando, ao abrir o envelope que continha o nome da melhor atriz do festival, pude anunciar o nome desta admirável atriz gaúcha. Ali, naquele momento, eu, passarinho!!! Creio já ter manifestado a esta profissional, tão precisa executante de sua arte, o imenso orgulho que tenho por coincidirem nossas opiniões: "enquanto houver elefantes na face da terra...sempre haverá bondade no mundo". Deborah, desejo-lhe tudo de melhor nesta nova temporada, nas apresentações em Porto Alegre e em São Paulo.“
Lauro Góes – ator, janeiro de 2008 – Rio de Janeiro / RJ


O Triunfo de Deborah
Voltei a Recife e passei uma semana acompanhando a programação local do “Janeiro de Grandes Espetáculos”... Do Rio Grande do Sul, dois espetáculos de Deborah Finocchiaro ganharam o palco mais importante de Recife. Quero repartir um pouco algumas impressões e, principalmente, testemunhar o sucesso maravilhoso de nossa atriz em sua passagem por um Estado tão distante do nosso... Deborah é, sem favor algum, uma das melhores atrizes gaúchas, preparada, articulada, inteligente. Versátil, divertida, curiosa, é uma alegria permanente aonde quer que se encontre. Essas características, felizmente, não se perdem quando o assunto é teatro. Ela encenou, em dias diferentes, “Sobre Anjos e Grilos” e “Pois é, Vizinha”... Foram duas apresentações inesquecíveis, tão diferentes entre si, e que causaram uma impressionante ovação da platéia, onde se via boa parte da classe teatral recifense, jornalistas, os curadores de todos os Estados e, inclusive, o Prefeito da cidade – que a aplaudiu de pé. Deborah estava iluminada, esplendorosa, no auge de sua maturidade. Seja dando vida ao universo de Mario Quintana ou encarnando uma mulher ao mesmo tempo atormentada e engraçadíssima no texto de Dario Fo, me encheu de orgulho e admiração... Deborah protagonizou um verdadeiro triunfo do teatro gaúcho e, através do seu trabalho, diminuiu a distância entre capitais tão distanciadas... “
Luciano Alabarse - Jornal Usina do Porto, março de 2008 - Porto Alegre / RS


"O espetáculo Sobre Anjos e Grilos emocionou o público composto por alunos e professores da Educação de Jovens e Adultos da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre. Foram nove apresentações de muita poesia, de uma brilhante comunicação com a platéia, criando uma atmosfera mágica e envolvente, que cativou a todos de forma inédita e surpreendente. Teatro, música, artes visuais, poesia e tantas outras linguagens compõem este belíssimo espetáculo que, numa comunhão entre Mario Quintana, Deborah e a platéia (que lotou todas as apresentações), resulta sempre, no final, num vibrante aplauso à arte, à poesia e à própria vida. 
Acompanhei todas as apresentações e foi com imenso prazer que pude observar a extasia do público diante da simplicidade e grandeza da proposta. Além disso, o que mais me impressionou foi a intensa vibração das pessoas que, em muitos casos, estavam vindo pela primeira vez ao teatro. O pedido mais ouvido depois do espetáculo era de que tivéssemos outras oportunidades tão gratificantes quanto essa.
O projeto Cultural da EJA (Educação de Jovens e Adultos) ampliou-se de forma muito significativa ao incluir este espetáculo em sua de proposta, no eixo “A Escola vai ao Espetáculo”, pois os alunos e professores tiveram uma excelente oportunidade de experenciar a potência da arte e da poesia em nossa vida de cada dia.”
Paulo Mauro da Silva - diretor teatral e coordenador adjunto da EJA/SMED/POA, dezembro de 2007


“Nos dois últimos dias, o 35º Fenata firmou-se como um dos mais versáteis de sua história. Nada mal para um festival que está voltando ao seu lugar entre os grandes do país em matéria de qualidade dos espetáculos. 
Na noite de segunda-feira, novamente o público foi brindado, dessa vez com a poesia única do gaúcho Mário Quintana. "Sobre anjos & grilos - o universo de Mário Quintana", da companhia porto-alegrense Solos & Bem Acompanhados, é uma espécie de "tour de force" em que a atriz Deborah Finocchiaro (também diretora, com Jessé Oliveira) coloca a sua própria experiência de 21 anos de palco para presentear a platéia com uma montagem absurdamente contemporânea sobre a poesia ao mesmo tempo doce, delicada, bem-humorada, irônica, corrosiva e definitiva de um dos maiores poetas que o Brasil já conheceu. Assistindo ao espetáculo, experimenta-se uma gama enorme de sensações que vão do choque ao deleite, do êxtase à perturbação. Com uma interpretação forte, incisiva, que se impõe, de vários poemas e aforismos de Quintana entremeados com projeções visuais da artista gaúcha Zoravia Bettiol, Deborah mostra que é possível, sim, realizar um trabalho autoral e extremamente generoso, pois é uma atriz que vive o teatro dentro e fora do palco.”
Helcio Kovaleski - Diário dos Campos, 14/11/2007 - Ponta Grossa / PR


“A atriz, com surpreendente desenvoltura, interpreta parte da obra de um dos nomes mais representativos da poesia brasileira. Criativas ilustrações projetadas e uma contagiante trilha sonora se fundem à energia de Deborah para recriar com graça o imaginário de Quintana.”
Dirceu Alves Jr. - Veja São Paulo, 05/09/2007 - São Paulo / SP


"Há algo de novo acontecendo quando uma atriz levanta numa ovação 900 pessoas de um teatro lotado. Deborah Finocchiaro fez isto no XIV Festival Nacional de Teatro de Florianopolis (2007). Ela envolveu uma multidão de jovens na descoberta de um outro Mario Quintana além da imagem clássica do poeta solitário das coisas simples. Surgiu um Quintana maior e mais profundo, assim como - uma vez mais - surgiu a chama do talento apaixonado de Deborah Finocchiaro."
Jefferson Del Rios - Crítico teatral, maio de 2007 - São Paulo / SP


Foi a casa mais lotada da mostra competitiva no CIC até agora. O arrojado espetáculo de Deborah Finnochiaro já se anunciava diferente no saguão do teatro... 
...um recital de poemas transmutado em encenação respeitabilíssima. O palco/caixa preta foi explorado com vigor, a interpretação dos poemas era inteligente e a atriz demonstrava admirável treinamento físico. 
...Deborah se põe, correta e respeitosamente, a serviço do poeta. A melhor qualidade da apresentação da criadora de “Sobre Anjos e Grilos”, não foi a combinação de talento e treinamento, mas a humildade que demonstrou diante de um artista maior. Na encenação de quinta-feira, o que brilhou foi o universo encantador do poeta de Porto Alegre. 
A orientação foi seguida por todos os membros da ficha técnica. Havia Quintana na iluminação... nas fundamentais imagens exibidas no telão instalado no meio do palco... 
Não é fácil levar uma platéia de teatro a aplaudir um verso escrito na parede. ... ...Na trilha sonora, cheia de estilo, uma contribuição ousada à obra do poeta: quem conseguiria combinar rasgo de guitarra com poema de Quintana? O figurino foge do básico, tem função dramatúrgica (a atriz contracena com as próprias roupas) e se mantém discreto. 
...o espetáculo gaúcho da Companhia de Solos & Bem Acompanhados foi ovacionado no final da apresentação no festival de teatro de Florianópolis. O público eclético resultou sorridente sem que tivesse assistido a uma comédia. Um feito. Certamente, feliz da vida, em meio a tudo, estava Mario Quintana transformado em anjo.”
Henrique Ungaretti - O Estado, 14 e 15/04/2007 - Florianópolis / SC


Deborah Finocchiaro faz do espetáculo um poema em movimento, bela homenagem ao poeta Mario Quintana, num olhar único e particular da atriz neste trabalho.
A paixão de Deborah pelo poeta nasceu há apenas três anos. Nem parece. Diante da intensidade demonstrada pela atriz na interpretação das escritas do autor gaúcho no monólogo Sobre Anjos e Grilos, tem-se a impressão que o sentimento sempre esteve lá. 
O espetáculo apresentado quinta-feira à noite no Teatro Ademir Rosa no CIC foi, provavelmente, o mais ousado desta edição do Festival Isnard Azevedo... A começar pela opção de Deborah em reler um ícone da literatura brasileira. 
A idéia de não repetir no palco o estigma do "senhor bonzinho", como muitas vezes Mario Quintana é popularmente referenciado... soa tão atraente quanto arriscada. Mas trabalhados com proeza tanto pela atriz quanto pela equipe técnica, os riscos agradaram o público e se tornaram o ponto alto do espetáculo. 
O Quintana presente na montagem da Companhia de Solos e Bem Acompanhados (RS) é o Mario Quintana lido por Deborah Finocchiaro. É esse olhar único, individual, a garantia da atriz sugerir, sem medo de excessos ou lacunas, os diferentes estados de espírito do poeta em seus instantes de criação, muito além da imagem pacata. 
As peculiaridades do monólogo vão além de textos famosos de Quintana. A utilização de recursos multimídia, com a projeção de postais especialmente criados pela artista plástica Zoravia Bettiol e uma trilha sonora bem arranjada por Chico Ferretti, completam o clima evocado pelas leituras e dão ritmo à peça. E assim, dançando, pulando corda ou beijando a máquina de escrever, Deborah faz do espetáculo um poema em movimento, bela homenagem a um poeta do cotidiano. 
Karine Ruy   - Diário Catarinense, 14/04/07 – Florianópolis / SC


Destaques Teatrais de 2006 
... Sobre Anjos e Grilos foi o espetáculo eu me deu maior prazer em estar numa platéia local. Com um material difícil (poesias de Mario Quintana, ou seja, não dramático) Deborah Finocchiaro e Jessé Oliveira criaram um espetáculo lúdico, inteligente e maravilhoso. 
... É impressionante como Jessé vem amadurecendo... Está mais refinado, objetivo e econômico... 
... Uma das melhores atrizes gaúchas, está esplendorosa nesse trabalho solo onde mostra todo o seu incrível talento.”
Luciano Alabarse - Jornal Usina do Porto, janeiro de 2007 - Porto Alegre


 Há alguma coisa de muito profundo em Quintana que eu ainda, por puro preconceito (achando que seu mundo era lúdico e inocente) não me ative a procurar. E agora achei o que era! 
... Ela já tinha me fisgado anos antes, mas nesta peça... Deborah Finocchiaro tira leite de pedra, numa vontade de se dar, numa garra de mostrar o teatro, o amor, a doação... que nos comove, sem dúvidas. Ela chega lá, ela consegue! Porque ela diz! E diz sim, e muito, pois toma o texto e o transforma em teatro, exatamente o que pensaríamos em ver em cada movimento, em cada ato, em cada gesto de mão, pé, cintura, rosto, o que for... Ela diz! Retira do texto para o palco exatamente o que o texto pede para ser dito. Na dança, na poesia, no gingado (e ela o tem, e muito). ...hora era uma criança, hora era um velho, hora era uma mulher, um menino, um anjo. Seus movimentos, suas danças, exigiam muito preparo físico. E ela, estava lá, respiração certa, fala certa... tudo com a harmonia poética que um dia talvez Quintana tivesse pensado para alguém que o representasse num palco. Que atriz! Alguém que se estivesse em no Rio ou em São Paulo, seria muito representada e conhecidíssima de todo o Brasil. 
Então imaginem Deborah Finocchiaro entrando no mundo de Quintana... Foi lá e tirou tudo aquilo que de Quintana pensamos ser tolinho e transformou em densidade e profundeza. E fez do profundo certamente uma reflexão e meditação da platéia... tudo perfeito... Uma peça com tecnologia atual. Com poucos recursos, mas digna de um teatro maior, de uma cidade maior. 
... Segurando uma máquina de escrever antiga nas mãos, em dado momento... parecia segurar os filhos de Quintana... cada verso seu. ... no palco a rodopiar, currupio, como a vida, como os versos... 
Gianni Paulo Freitas Tavares - consultor, janeiro de 2007 


Deborah Finocchiaro é uma das mais completas e talentosas atrizes que conheço
Transita do humor mais rasgado para a sinceridade mais comovente em questão de segundos, emprestando uma humanidade elogiável e dignas daquelas mulheres abençoadas pelos deuses do teatro com uma imensa e inesgotável capacidade de surpreender o público. Já há muitos anos venho acompanhando atentamente seu trabalho. Sua experiência cada vez mais é posta a serviço do Teatro, assim com letra maiúscula. E agora, nesse último trabalho, debruçada sobre poesias de Mario Quintana, atinge uma maturidade digna de todos os elogios. Para mim, é um grande e maravilhoso momento do teatro gaúcho nesse ano da graça de 2006. Amparada por uma sensível e eficiente direção de Jessé Oliveira, consegue transformar o material escolhido em dramaturgia cênica de primeiríssima qualidade. O espetáculo é emocionante. Mas sem uma grande atriz isso não seria alcançado, porque depende basicamente da capacidade de improvisação, comunicação com a platéia e invenção diária do material trabalhado. É uma das mais inquietas e transformadoras interpretações do ano, revelando com doçura e crítica o universo do grande poeta. Deborah é uma Grande Atriz, e é assim que me orgulho de acompanhá-la: como amigo e fã devoto, sempre pronto a aplaudi-la e admirá-la.”
Luciano Alabarse - diretor de teatro e coordenador do Festival Internacional de teatro Porto Alegre em Cena, dezembro de 2006


Aí está uma excelente sugestão de presente para os que procuram maneiras de se deixar acometer pela emoção.
Deborah , nas asas dos anjos de Quintana, consegue tocar onde as palavras não chegam. Onde o olhar dispensa a luz para estar. Onde o pensamento galopa nas asas desses Anjos Brincalhões que seguem acreditando e alimentando nossos sonhos mesmo diante da rigidez dos sorrisos... 
Feito criança frente à certeza do brinquedo cheiroso, feito desejo preenchido por um sentimento novo que não pensei guardar inteiro dentro de um coração tão pequeno; é assim que me senti ao ser soprado pelos versos do Quintana na competência leve desta atriz que, incansavelmente e com muita seriedade, tem contribuído com a cultura deste Estado e País.”
Idésio de Oliveira - poeta e enfermeiro, novembro de 2006


Poemas para ver - Deborah Finocchiaro encena a poesia de Mario Quintana com excelência
Valeu à pena esperar anteontem na mostra oficial do 1º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba) para assistir à excelente atuação de Deborah Finocchiaro...A peça faz jus ao nome da Cia. de Solos & Bem Acompanhados. Embora Deborah atue sozinha, ali estavam Quintana - na voz peculiar do ator Paulo José - e diversos outros personagens que iam se construindo na tela, ou melhor, na folha de papel, multimídia representada no palco. ...mesmo dançando, pulando cordas e se multiplicando em cena Deborah se mantém inteira durante uma hora e exatos seis minutos de duração. A trilha sonora de Chico Ferretti é pontuada por “Ecogliter”, de Laura Finocchiaro e Franco Jr., e “Baleada Noturna”, de Lory Finocchiaro, em contraponto à erudição da “4ª Sinfonia de Mahler” e os “Concertos de Brandenburgo”, nº4, 5 e 6 de Johann Sebastian Bach. Belo cruzamento cultural. Em cena o poema ganha forma. Atriz e projeção multimídia - assinadas pela artista plástica Zoravia Bettiol - são na verdade um único corpo. O texto é construído de uma forma tão natural que às vezes é possível esquecer que se está ouvindo um poema. Aqueles que dizem não gostar de poesia deveriam assistir...“
Marcela Benvegnu - Jornal de Piracicaba, 24/11/06 - Piracicaba / SP


Sobre Anjos e Grilos foi o grande destaque da 14ª edição do evento 
... Deborah Finocchiaro, criadora e intérprete do monólogo Sobre Anjos e Grilos, que levou na bagagem o prêmio de melhor espetáculo da Mostra Adulto do 14° Festival de Florianópolis Isnard Azevedo... Sobre Anjos e Grilos, obteve o maior público durante os seis dias de competição. Além do prêmio principal, Deborah foi considerada a melhor atriz com sua interpretação da poesia e dos estados de espírito do poeta Mario Quintana. 
- Além de ter trazido as poesias de Quintana de uma maneira lúdica, que divertiu as pessoas, a peça uniu a linguagem multimídia com o trabalho do ator. Esse foi o trunfo de Sobre Anjo e Grilos - avaliou o jurado Jackson Zambelli.”
Karine Ruy   - Diário Catarinense, 16/11/06 – Florianópolis / SC


Energia e Poesia em Cena 
Dentro da programação do 13º Porto Alegre em Cena foi apresentada a montagem gaúcha “Sobre Anjos e Grilos”, de Deborah Finoccharo. Dentre tantas opções nacionais e internacionais, merece destaque especial este espetáculo local, que só pode recebem um adjetivo: lindo. A peça é um monólogo, onde Deborah declama e interpreta uma selecionadíssima coleção de poemas de Mario Quintana, sobre as mais diversas temáticas... Ora com ironia, ora com delicadeza, por vezes com tanta sinceridade que alcança uma graça espontânea, os poemas de Quintana são a linguagem verbal do sincretismo poético que o conjunto da obra significa. Durante o espetáculo, a platéia fica em profundo transe, seduzida pela fascinante movimentação da atriz. Ela, muito mais que dar textos diferentes, corporifica um sem-número de personagens, todos com suas devidas expressões e peculiaridades, e tão efêmeros quanto a poesia. O palco chega a ficar pequeno para tanta energia, beleza e movimento poéticos. Se texto e interpretação são elementos básicos para uma boa obra de arte dramática, o espaço cênico é o diferencial. Em “Sobre Anjos e Grilos”, um painel branco recebe projeções de gravuras da artista plástica Zorávia Bettiol, e a interação destas imagens com Deborah, com o texto e com a platéia cria uma atmosfera mágica com poucos equivalentes. A isto é acrescida uma trilha sonora suave, deliciosamente combinada a todas as demais linguagens, completando a imersão do público, que ri, se emociona e reflete sobre o centenário (e tão absurda atualidade) do poeta. Os objetos também são muito simples, mas icônicos da obra de Quintana... Além da projeção das imagens, outro ponto que não pode ser esquecido na constituição do espetáculo é a iluminação, operada pelo próprio diretor, Jessé, que é absolutamente sincronizada e integrada a cada cena. São efeitos visuais que conferem à peça uma estética belíssima. A justa medida entre todos estes elementos bem-resolvidos é o que torna esta peça inexplicável em apenas verbo. Imperdível.”
Júlia Timm - Cyberfam (FAMECOS - PUCRS), 12/09/06 - Porto Alegre


Alimento para o espírito - Deborah concebe um Quintana leve como as nuvens! 
Não há como não se emocionar em Sobre Anjos e Grilos... Dirigida por Jessé Oliveira, a atriz trabalha sozinha em uma performance encantadora, de verdadeira entrega ao universo do poeta, em meio ao cenário criado pela artista plástica Zoravia Bettiol. O espetáculo consegue passar o tempo inteiro a essência da personalidade literária de Quintana: a imagem leve de uma nuvem. 
Nuvem que transita volta e meia projetada em uma delicada tela, que ora funciona como pano de fundo, ora faz efeitos de sombra chinesa, remetendo a também a outros ícones do autor. 
Sobre Anjos e Grilos é uma radiografia das diversas facetas de Mario Quintana. T

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