Netto e o domador de Cavalos mistura história e estórias do imaginário gaúcho nas telas do cinema
Escrita e dirigida por Tabajara Ruas, a obra desenrola-se no Rio Grande de 1835 terra dividida entre coronéis, soldados, escravos e os poucos guaranis sobreviventes da guerra da cisplatina; entre o conservadorismo e os ideais republicanos.
A voz grave e envolvente do índio Torres (Tarcisio Filho), narra com riqueza de detalhes e alegorias sua própria história e sua relação com outros dois ícones da história rio-grandense marcados por sua força e idealismo, o general Netto (Werner Schünemann), um dos lideres da Revolução Farroupilha e o Negrinho do Pastoreio (Evandro Elias), símbolo a opressão e injustiças sofridas pelos escravos.
Conhecido por sua habilidade como domador, Torres passou sua vida entre cavalos e soldados entre a liberdade e a guerra, e desta vez é Netto, seu velho companheiro de guerra, que trama a fuga do cárcere índio. As cenas da tortura do detento prazerosamente planejada pelos soldados são contraposição aos deleites que permeiam as tradicionais Carreras, regadas a comida, bebida, música, e as falsas morais familiares. Mais do que a relação entre si, o que une as histórias dos personagens é a coragem, de Netto e dos negros ao se unirem para libertar o índio amigo, que mesmo sob tortura não entrega seus companheiros, e do negrinho que recebe as injustiças punições de uma vida de servidão. Uma luta constante contra a opressão que aparece vestida de farda militar, de patriarca da família, de senhor dos escravos.
Não só as paisagens perdidas da banda oriental remetem a este lugar distante e solitário do passado, o que mais carrega o espectador para o Rio Grande do século XIX e cada vez mais para dentro do conto é a trilha sonora de Vitor Ramil, que sutilmente envolve e enriquece a narrativa, proporcionando mais emoção à forte história. Forte como o gaúcho, como o herói farroupilha, como o índio, como o negrinho.
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