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Música

As múltiplas utopias de uma Mulher de Oslo
Felipe Azevedo


Dizem que o mal estar da humanidade ou aquilo que chamamos efeito pós-modernidade é a morte das utopias.

Utopia na sua raiz refere-se a topos (lugar) e para o u sobra o sentido de nenhum, ou algo próximo a isso. Utopia seria, portanto lugar nenhum ou ainda não atingido.

Eduardo Galeano, mesmo autor referenciado no espetáculo A MULHER DE OSLO tem uma definição mais apetitosa para utopia – horizontes.

Ter utopias é vislumbrar horizontes.

Vanessa Longoni junto a seu grupo de músicos, simplesmente deslumbra e reelabora seus horizontes humanos em várias mulheres que ela aos poucos desfia: mulheres de si mesma.

Então aqui não pesa na balança da arte a técnica, a performance, etc., etc., etc.

É um ser humano mulher que apenas é e se permite ser no palco.

Oslo é o horizonte utópico desta mulher. Reflexo de sua partida.

Zygmunt Bauman, sociólogo, escreveu um livro intitulado ‘Amor líquido’ onde ele desfia a volatilidade das relações humanas e amorosas.

Ao assistir o espetáculo pensei neste líquido humano que é o amor.

Seus vários horizontes nas utopias de quem se permite simplesmente ser.

Desejo que a MULHER DE OSLO continue sendo simplesmente e vivendo suas utopias óslicas.

Deixo um pequeno texto, quase poesia, lembrança das sensações do ‘ensaio aberto’ do espetáculo, ao qual assisti na Casa Elétrica aqui em Porto Alegre.

AMOR LÍQUIDO

O meu amor é líquido
Desfia em murgas e candombes
Fendas, regaços, luas cheias
Franja sinuosa que escoa

O meu amor se funde
No corpo a brasa colorida
No ventre a seiva ensandecida
Flui no ruflar das borboletas

O meu amor é pleno
Guerreiro arguto, marinheiro em proa
Donzela de prata, cabocla de Lisboa
Em Oslo habita em horizontes

O meu amor é líquido
Humano líquido himalaico
Num buliçoso rio mosaico
A perpetuar-me em seu efeito

O meu amor que eu não liquido
O meu amor que eu não liquido...

20/05/2008

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  Felipe Azevedo

Felipe Azevedo é compositor e violonista, premiado com 5 prêmios Açorianos, além de prêmios em festivais locais e nacionais. Licenciado em Música (IPA) e Letras (PUC), o músico também estudou Harmonia, Contraponto e Forma e Análise com Fernando Mattos; Harmonia e Improvisação com Cristiano Kotlinski; técnica violonística com Eduardo Castañera e atualmente recebe Orientação Vocal aplicada ao seu trabalho de compositor com Lúcia Passos. Com 03 álbuns lançados Felipe está em fase de finalização de seu novo CD – Tamburilando Canções – Felipe Azevedo – Violão com Voz, prêmio FUNARTE – RJ.

felipaz@terra.com.br
www.felipercussive.blogspot.com
twitter.com/felipazev


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