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Memoria

A marcha de abertura do FSM 2003
Carlos Scomazzon

Diversidade tomou conta do centro de Porto Alegre na marcha de abertura do Fórum Social Mundial 2003

“Uma foto, Lilian”, pediu a moça. Sorridente, a uruguaia Lilian Celiberti se posicionou junto a um grupo de mulheres que acompanhavam um carro alegórico ostentando um enorme desenho de uma boca com os dizeres “Sua boca é fundamental contra o fundamentalismo”. Um clique e trinta anos depois do seqüestro dela e de seu companheiro Universindo Diaz, em Porto Alegre, por agentes ligados à repressão da ditadura militar vigente à época, a foto estava tirada. A jovem militante de esquerda dos anos setenta agora é uma senhora de cabelos grisalhos, mas ainda com a mesma disposição para participar da “Marcha da Diversidade Contra a Guerra” que tomou conta das ruas centrais de Porto Alegre a partir da 18 horas desta quinta-feira, na abertura da terceira edição do Fórum Social Mundial (FSM). A chuva torrencial que caía desde a madrugada acabou cessando perto do final da tarde.

Acusado por seus críticos de ser o foro do pensamento único, a marcha teve a marca da diversidade de culturas, linguagens, religiões, raças e, principalmente, de idéias. Em uma frente, por exemplo, dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) – entre eles, José Genoíno, Aloísio Mercadante, Miguel Rossetto, Jaques Wagner, Olívio Dutra, Humberto Costa, Eduardo Suplicy, Elvino Bohn Gass, Paulo Ferreira , Marta Suplicy e Ivar Pavan – posavam para fotos, aplaudidos pelo público. Um pouco mais atrás, porém, militantes do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) não economizavam nas palavras de ordem céticas em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Lula, eu quero ver o plebiscito contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) acontecer”. Bandeiras de Cuba, camisetas com a estampa do rosto do guerrilheiro Che Guevara e militantes comunistas se misturavam a integrantes dos movimentos Religiões pela Paz – Coalizão Ecumênica, Brahma Kumaris e Seicho-No-Ie e fiéis da Igreja Episcopal Anglicana.

SOMOS TODOS IGUAIS

“Não existem povos eleitos, somos todos iguais”, dizia o cartaz de um grupo de palestinos, seguido mais atrás por um entusiasmado frevo pernambucano. “Uma outra Amazônia é possível” era a palavra de ordem de um grupo ambientalista, acompanhada de protestos contra a guerra (“Não à guerra: o próximo pode ser você”) e de manifestações a favor da reforma agrária. “Eu sou negra sim”, estampava a camiseta de uma militante.

Durante o percurso pela Avenida Borges de Medeiros, desde o Largo Glenio Peres até o Anfiteatro Pôr-do-Sol, a diversidade foi o ponto de união. Tal como na multicolorida bandeira do movimento gay, imitando as cores do arco-íris, indígenas, feministas, defensores da conservação do meio ambiente, integrantes de minorias étnicas e raciais, militantes negros, palestinos, funcionários públicos, trabalhadores de diversas áreas, artistas e estudantes se uniram para reafirmar que um outro mundo é possível, a partir de um desenvolvimento ecologicamente sustentável e socialmente justo. Se A Marcha da Diversidade contra a Guerra teve um pensamento único, este foi o de que é necessário paz e mais solidariedade entre os diferentes.


30/01/2009

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  Carlos Scomazzon

Nascido em 1962, Carlos Scomazzon é natural de Porto Alegre (RS), onde reside. Atualmente, é jornalista da Câmara Municipal de Porto Alegre. Também atua voluntariamente como jornalista na Ecoagência de Notícias Ambientais, mantida pelo Núcleo de Ecojornalistas do RS (NEJ-RS), do qual participa desde 1992. Desde 2002, administra a Rede Brasileira de Comunicação Pública, uma lista de discussão focada na comunicação pública e integrada por profissionais e estudantes de diversas áreas da comunicação. É casado com a jornalista e escritora Laís Chaffe e pai dos catarinenses João Victor e João Vinícius.

comunicante.blog@comunicante.jor.br
www.comunicante.jor.br/


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