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Cultura

Nossa vida multimídia e suas contraindicações
Carlos Scomazzon

A França quer banir os celulares para as crianças. O governo francês planeja uma lei que torne ilegal anunciar celulares para menores de 12 anos. O país também proibiu os canais de TV de exibirem programas para crianças com menos de 3 anos, como forma de proteger o desenvolvimento dos pequenos. E não é só: o Alto Conselho do Audio Visual francês determina ainda que as operadoras de TV a cabo têm de exibir alertas aos pais com o texto 'Assistir TV pode retardar o desenvolvimento de crianças de menos de 3 anos, mesmo quando envolve canais dirigidos especificamente a elas'. Neste sentido, o Brasil parece ter ainda um longo caminho a trilhar. Ainda estamos recém experimentando a classificação indicativa por faixa etária para os programas de TV.

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Publicidade na TV pública

Também na França, foi aprovada a lei de reforma da televisão pública, que elimina gradativamente a publicidade nesses canais. Acabou sendo aprovada a reforma proposta pelo presidente Nicolas Sarkozy. A principal novidade é a redução gradativa da publicidade nos canais públicos. A lei determina que, por enquanto, estes canais deixarão de veicular anúncios publicitários entre as 20h e 6h. A eliminação total destes comerciais deve ocorrer em 2011, ano em que a televisão analógica será substituída completamente pela digital, segundo especialistas. O governo francês justifica a medida alegando que a renda perdida será compensada com aumentos de impostos. A decisão, no entanto, gerou polêmica. Há quem entenda que a medida só beneficia as redes privadas de comunicação, que ficarão com toda a fatia de publicidade na mídia. A oposição francesa entende que o novo sistema não garante a independência da televisão pública no futuro.

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Propaganda infantil

Desde 2006, o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília já monitorou 2.560 horas de comerciais de produtos sujeitos à vigilância sanitária. Este dado foi apresentado durante a audiência pública realizada no Senado Federal e que discutiu os limites da propaganda no Brasil. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), "das peças publicitárias, 42% eram destinadas exclusivamente ao público infantil. Destes comerciais, 89,7% eram de alimentos ricos em gordura e açúcar. Segundo pesquisa do Ibope, as crianças brasileiras passam 35 horas por semana em frente à televisão. Bombardeadas com diversas propagandas, os pequenos com até 10 anos de idade não têm discernimento do que é comercial ou não, o que significa que a publicidade é abusiva. Segundo dados da Revista do Consumidor, publicada pelo IDEC, as crianças ficam expostas, em média, anualmente, a 30 mil mensagens publicitárias veiculadas pelos meios de comunicação, inclusive a televisão. O que dá mais de oitenta mensagens por dia.

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Mais tempo na Internet

As pessoas passam três vezes mais tempo por semana conectados à Internet do que assistindo televisão. O resultado aparece na terceira edição da pesquisa "O Futuro da Mídia". A pesquisa diz ainda que os consumidores gastam 82 horas por semana utilizando diversos tipos de mídia e tecnologias de entretenimento. Para 81% dos entrevistados, o computador é um meio de entretenimento mais importante que a TV, e 58% deles disseram que videogames, jogos no computador e online são importantes fonte de entretenimento. Foram ouvidas cerca de 9 mil pessoas no total, sendo 1.022 delas no Brasil. Os pesquisados apontam ainda o computador como importante ferramenta de entretenimento, mas não necessariamente como a mais importante mídia, já que o conteúdo próprio tem grande importância. Um fatia de 83% dos entrevistados fazem seu próprio conteúdo de entretenimento por meio, por exemplo, da edição de fotos, vídeos e músicas. Pela pesquisa, a publicidade na televisão é considerada mais influente por todos os segmentos de idade, seguida da propaganda em revistas, on-line e jornais. Contudo, a TV perde influência entre os mais jovens.

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Telemarketing, não!

Ninguém mais aguenta mesmo o telemarketing. O número de pessoas que já solicitaram o bloqueio para as ligações de telemarketing atingiu 43,17 mil em apenas cinco dias de cadastramento de usuários em São Paulo. Como cada pessoa pode solicitar o não recebimento de ligações nas linhas que lhe pertencem, o número de telefones bloqueados é maior ainda: 78,94 mil entre fixos e móveis. Desde o dia 27 de março, o Procon-SP colou no ar em seu site o cadastramento ao "do not call list", ou seja, Cadastro para Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing no Estado de São Paulo. A lei foi regulamentada pelo Decreto Estadual 53.921/08, cujo objetivo é preservar a liberdade do consumidor. O bloqueio começa a valer após 30 dias do cadastro do telefone, e a partir disso o usuário não poderá mais receber ligações do telemarketing das empresas, a não ser de entidades filantrópicas e companhias que tenham uma autorização por escrito. Para as empresas que infringirem a lei, serão aplicadas multas que variam entre R$ 212 e mais de R$ 3 milhões. Ainda falta irradiar este tipo de legislação por todo o país.

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Concessões de TV

O Senado aprovou, por meio de sua Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), um parecer do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que proíbe que deputados e senadores tenham emissoras de rádio e de televisão . Além disso, o parecer recomenda também que sejam rejeitadas as renovações das concessões já existentes. Agora, o parecer será votado pelo plenário do Senado. Dados apurados recentemente pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) revelam que 271 políticos brasileiros – contrariando o texto constitucional – são sócios ou diretores de 348 emissoras de radiodifusão (rádio e TV). Desses, 147 são prefeitos (54,24%), 48 (17,71%) são deputados federais; 20 (7,38%) são senadores; 55 (20,3%) são deputados estaduais e um é governador. Esses números, porém, informa o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), correspondem apenas aos políticos que possuem vínculo direto e oficial com os meios – não estão contabilizadas as relações informais e indiretas (por meio de parentes e laranjas), que caracterizam boa parte das ligações entre os políticos e os meios de comunicação no País.

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Gay Talese em Paraty

O jornalista norte-americano Gay Talese - autor de livros como "Fama e Anonimato" e "O Reino e o Poder" - confirmou sua presença na próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que será realizada entre 1 e 5 de julho, em Paraty (RJ). Um dos fundadores do new journalism (novo jornalismo), ao lado de Tom Wolfe e Truman Capote, o jornalista terá o livro "Vida de escritor" lançado em maio no Brasil. A organização da FLIP também já confirmou a participação do crítico musical Alex Ross, autor de "O Resto É Ruído" e colaborador de publicações como The New Yorker, Slate e The New York Times.

Gay Talese é autor de 11 livros best-sellers. Ele foi repórter do jornal New York Times de 1956 a 1965 e colabora com o Times, Esquire, The New Yorker, Harper's Magazine e outras publicações norte-americanas. Nascido em Ocean City, New Jersey, Gay Talese vive em Nova Iorque.


30/04/2009

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Comentários:

Olá Carlos,

Aqui é Alessandra, do blog Alebizoni, um blog sobre Mídia e Educação.

Escrevo para compartilhar com você o fato de que também ganhei o selo Guia Web no meu blog.

Vi o link no seu blog e cadastrei o meu também. Por isso, acredito que há créditos para você.

Aproveito a oportunidade para comentar seus artigos.

A preocupação francesa com o conteúdo da TV e com a restrição da publicada tem a sua razão de ser.

Estudos indicam que, até os 12 anos, crianças não fazem distinção entre o contéudo e a publicidade, de modo que assimilam a publicidade como parte do conteúdo do programa que assistem.

Você deve conhecer a campanha do Instituto Alana, que, baseado nesses dados, defende o fim da publicidade para crianças.

Mas, como você mesmo disse, ainda existe um longo caminho a percorrer nesse sentido no Brasil.

Existe, inclusive, tópicos sobre esse tema na Confenrância Nacional de Comunicação.

Bem, não quero tomar seu tempo.

Parabéns pela postura.

Um grande abraço!
Alessandra Moura Bizoni, Rio de Janeiro 05/11/2009 - 09:53

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  Carlos Scomazzon

Nascido em 1962, Carlos Scomazzon é natural de Porto Alegre (RS), onde reside. Atualmente, é jornalista da Câmara Municipal de Porto Alegre. Também atua voluntariamente como jornalista na Ecoagência de Notícias Ambientais, mantida pelo Núcleo de Ecojornalistas do RS (NEJ-RS), do qual participa desde 1992. Desde 2002, administra a Rede Brasileira de Comunicação Pública, uma lista de discussão focada na comunicação pública e integrada por profissionais e estudantes de diversas áreas da comunicação. É casado com a jornalista e escritora Laís Chaffe e pai dos catarinenses João Victor e João Vinícius.

comunicante.blog@comunicante.jor.br
www.comunicante.jor.br/


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