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Literatura

Coisas da Cidade
Márcio Ezequiel


Gilmar Benevenuto estudou até a 7² Série do 1° Grau, foi servente de pedreiro, auxiliar de serviços gerais, porteiro e camelô. Esse é o currículo que apresenta em seu livro “Coisas da Cidade”, que pessoalmente vende no Parque Farroupilha, aqui em Porto Alegre, se você topar com ele, é claro. De edição artesanal, o livreto xerografado é trabalho levado a sério com direito a ficha catalográfica e epígrafe.

Gilmar encara sua “jornada” literária (como diz com muita simpatia) atraindo e cativando os freqüentadores do parque. Cinco reais ou quatro vale-transportes é o preço.

O livro, composto por 31 micronarrativas protagonizadas por diversos personagens da vida urbana: o padre, o político, o malandro, o playboy, o gaudério, a dona de casa, a modelo etc. O número de textos, um por página, coincide com os dias de um mês cheio, indicando uma temporalidade curta, marcada pela cotidianidade. Cada narrativa inicia com “Eu? (...)”, revelando uma crise de identidade coletiva mesmo para os personagens mais estigmatizados. Ocorre assim pelo leitor uma busca de cada tipo coisificado nas relações pessoais e a (re)construção de um quadro geral da cidade a partir da soma dessas individualidades ego-umbigo-cêntricas.

Abaixo destaco algumas “coisas” do autor:

Coisas da Cidade – n° 4 –

Eu? Eu rasgo telas de famosos. Chego nas galerias e vou direto nos gênios. Passo a navalha no Miró, no Van Gogh, no Paul Klee, no Velásquez. É a minha arte: ler o Mein Kempf e destruir os revolucionários.

Coisas da Cidade – n° 9 –

- O Pai da minha tigrona comprou o cimento, os tijolos e a areia. Pagou o pedreiro e ainda bancou as telhas. Só entrei com o corpo pra descansar e fazer amor. Hoje de manhã, ele passou mal e veio pedir ajuda. Dei um torpedo nos peitos do velho! O marca-passo quase saiu pela boca!

Na epígrafe colhida de Mário Quintana, o escritor manda seu recado:

“Democracia? É dar, a todos, o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, isso depende de cada um.”

Sucesso ao Gilmar!

Eu? Eu acho que ele já faz parte das coisas da cidade.


Márcio Ezequiel é escritor e pesquisador da história de Porto Alegre. Blog do autor: O Pirotécnico (http://marcioezequiel.blogspot.com)

31/01/2008

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