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Maria Dorothea Barone Franco
Sou um eu abstrato entre muitos na cidadela de pedra e cal. Cansada, percorro as ruas do centro e sei que posso ver além das lojas, das propagandas e do capital. Um pedido rouco diz em meu ouvido: “Poesia”. Deixo de lado meu jeito sério semanal e assumo a alegria despreocupada de uma manhã de domingo. Não tenho pressa, só preces em palavras escritas, letras espontâneas que contam outra cidade. Um olhar “urbano-poético” permite suavizar a visão fatigante no corre-corre de um cotidiano nublado que encobre e carrega de poluição as asas da minha imaginação. Desenho o meu urbano particular em cada linha do livro “Quando o urbano se faz poesia”. Aos meus futuros leitores, faço um convite informal para que visitem o lugar que arquitetei. Um turismo ficcional para o ano inteiro.
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